Mercosul cria novas regras para comércio eletrônico entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai

Acordo promulgado pelo Brasil estabelece diretrizes para transações digitais, proteção de dados, segurança cibernética e defesa do consumidor.

Brasil promulga acordo do Mercosul sobre comércio eletrônico e cria regras comuns para transações digitais, proteção de dados e segurança nas operações online.

Imagem: eprodução/ Agência Brasil

O comércio eletrônico entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai passa a contar com novas regras. O Brasil promulgou nesta segunda-feira (24) o Acordo sobre Comércio Eletrônico do Mercosul, tratado que busca facilitar negócios realizados pela internet entre os países do bloco e reduzir obstáculos às operações digitais.

O acordo foi assinado pelos integrantes do Mercosul em 2021 e agora foi incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro por meio do Decreto nº 13.104, publicado no Diário Oficial da União.

Entre as medidas previstas está a proibição, em determinadas situações, da cobrança de direitos alfandegários sobre transmissões eletrônicas realizadas entre os países. O texto também estabelece compromissos relacionados à proteção de dados pessoais, defesa do consumidor, segurança cibernética e reconhecimento de documentos eletrônicos.

A intenção é aproximar as regras dos quatro países e criar um ambiente com menos barreiras para empresas e consumidores que realizam operações comerciais além das fronteiras.

Assinaturas eletrônicas passam a ter reconhecimento entre os países

O acordo estabelece diretrizes para facilitar a realização de contratos e outros negócios por meios digitais.

Entre os pontos previstos está o reconhecimento da validade jurídica das assinaturas eletrônicas utilizadas nos países integrantes do Mercosul. A medida pode facilitar a formalização de documentos e contratos entre empresas e consumidores de diferentes países.

O tratado também orienta os governos a adotarem medidas que aumentem a transparência das normas e evitem exigências consideradas desnecessárias que possam dificultar o comércio eletrônico.

A expectativa é que a aproximação das regras reduza parte da burocracia enfrentada por empresas que pretendem vender produtos e serviços para consumidores de outros países do bloco.

Proteção de dados está entre as prioridades

A proteção das informações pessoais também ocupa espaço importante no acordo.

Os países assumiram o compromisso de manter mecanismos destinados a proteger os dados utilizados em operações de comércio eletrônico. O tratado prevê ainda cooperação e troca de informações entre os governos sobre políticas e práticas relacionadas à proteção de dados.

A circulação internacional de informações necessárias para atividades comerciais poderá ocorrer, desde que sejam respeitadas as legislações aplicáveis em cada país.

Outro ponto limita a possibilidade de um país obrigar empresas estrangeiras a manter servidores ou estruturas específicas de armazenamento de dados dentro de seu território como condição para atuar no mercado local.

A regra busca evitar que exigências tecnológicas sejam utilizadas como barreiras para empresas digitais que atuam em diferentes países do Mercosul.

Consumidor poderá ter mais controle sobre mensagens comerciais

A defesa do consumidor também está entre os compromissos assumidos pelos países.

O acordo prevê medidas para combater o envio de mensagens eletrônicas comerciais sem consentimento. Entre as possibilidades está a criação de mecanismos que permitam ao usuário interromper o recebimento dessas comunicações.

A iniciativa pretende aumentar o controle dos consumidores sobre mensagens indesejadas e contribuir para um ambiente digital mais seguro.

O texto também inclui medidas para estimular a participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio eletrônico regional, ampliando as possibilidades de atuação desses negócios em mercados dos países vizinhos.

Países terão cooperação na área de segurança cibernética

A segurança digital é outro ponto contemplado pelo acordo.

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai deverão ampliar a cooperação e o intercâmbio de informações em temas relacionados à segurança cibernética, proteção do consumidor e desenvolvimento do comércio eletrônico.

O tratado também prevê colaboração em áreas como governo eletrônico e compartilhamento de informações e estatísticas sobre o setor.

A ideia é aumentar a confiança de consumidores e empresas nas operações realizadas por meio de plataformas digitais entre os países do bloco.

Regras poderão ser revistas

O acordo também prevê que suas regras sejam atualizadas ao longo do tempo. A previsão é de que o tratado passe por revisões a cada dois anos, permitindo que os países avaliem mudanças tecnológicas e novos desafios relacionados ao comércio eletrônico.

A atualização periódica é importante porque o setor digital passa por mudanças rápidas, com o surgimento constante de novas tecnologias, modelos de negócio e formas de pagamento.

Com a promulgação do acordo, o Brasil conclui sua etapa interna de incorporação do tratado. A medida aproxima as regras dos quatro países do Mercosul e cria uma base comum para ampliar as operações comerciais realizadas pela internet.

Além de buscar facilitar negócios entre empresas e consumidores, o acordo estabelece compromissos para que essa expansão ocorra com maior proteção de dados, segurança nas transações e respeito aos direitos dos consumidores.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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