Haddad lança desafio público a antecessores sobre gestão das contas do governo

Ministro afirma que déficit primário caiu durante sua gestão e diz estar aberto a discutir resultados com ex-ministros da Fazenda

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, desafia ex-titulares da pasta a debater resultados fiscais do governo e cita redução do déficit primário.

Imagem | Divulgação

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, publicou nas redes sociais um vídeo em que desafia todos os seus antecessores no comando da pasta a participarem de um debate público sobre a situação das contas do governo federal. A provocação acontece nos últimos dias de Haddad à frente do ministério, já que ele deve deixar o cargo ainda nesta semana para disputar as eleições de 2026.

No vídeo, o ministro afirma estar disposto a discutir os resultados fiscais de diferentes períodos da história recente do país e disse que o confronto de dados poderia esclarecer divergências sobre a condução da política econômica. “Estou disponível para conversar com qualquer pessoa que já ocupou essa cadeira sobre as contas públicas, em qualquer período. Eu gosto de debate. Faz tempo que não debato”, declarou Haddad. Segundo ele, durante sua gestão à frente da Fazenda o déficit primário foi reduzido em cerca de 70% em dois anos. O ministro também citou o cenário encontrado no início do governo Lula, afirmando que o rombo projetado para 2023, ainda durante a transição entre governos, ultrapassava 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

A saída de Haddad do ministério já havia sido confirmada pelo próprio ministro no início da semana. A decisão foi articulada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende lançar o atual titular da Fazenda como candidato ao governo de São Paulo nas eleições de 2026. O principal adversário esperado é o governador paulista Tarcísio de Freitas, do Republicanos. A despedida de Haddad do cargo deve ocorrer entre os dias 19 e 20 de março, durante a 17ª Caravana Federativa, evento que será realizado em São Paulo e contará com a presença do presidente e de outros ministros. Com a saída do titular da pasta, o atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, deve assumir o comando do ministério.

O gesto de Haddad também antecipa a disputa de narrativas econômicas que tende a ganhar força com a aproximação da campanha eleitoral. Embora o ministro não tenha citado nomes diretamente, o desafio foi interpretado como uma referência ao ex-ministro da Economia Paulo Guedes, responsável pela condução da política econômica durante o governo Jair Bolsonaro. Guedes tem evitado confrontos públicos sobre o tema e prepara o lançamento do livro “O Caminho da Prosperidade”, no qual apresenta análises e dados de sua gestão ao lado do ex-secretário especial da Fazenda Waldery Rodrigues.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, nenhum ex-ministro da área econômica comentou publicamente o convite feito por Haddad. Nos bastidores, integrantes de governos anteriores criticam o crescimento da dívida pública, que fechou 2025 em 78,7% do PIB, e apontam falta de medidas mais firmes de controle de gastos. Para o economista Samuel Pessôa, pesquisador do Ibre-FGV e economista do BTG Pactual, concentrar o debate na gestão anterior pode ter alcance limitado neste momento. Ele observa que o PT está no governo há mais de três anos e também esteve no poder durante boa parte das últimas duas décadas, o que torna a disputa de narrativas econômicas um dos temas centrais da corrida eleitoral.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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