O mercado automotivo brasileiro deve encerrar 2026 com um crescimento maior do que o previsto inicialmente pela indústria. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) revisou sua estimativa de expansão das vendas de 8,6% para 12,8%, considerando os resultados acumulados até outubro.
A nova projeção foi divulgada nesta quarta-feira (4), junto com o balanço dos emplacamentos do mês. Caso a expectativa se confirme, o setor deverá comercializar quase 5,6 milhões de veículos ao longo do ano.
Entre janeiro e outubro, foram registrados 4.722.650 emplacamentos no país, volume 12,62% superior ao contabilizado no mesmo período de 2025. Segundo a federação, esse é o segundo melhor resultado da série histórica para os dez primeiros meses do ano, atrás apenas do registrado em 2011.
O presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, avaliou que os números permitem uma perspectiva mais favorável para o fechamento de 2026, especialmente nos segmentos de automóveis e comerciais leves.
Apesar do cenário positivo, a entidade ainda projeta retração nas vendas de caminhões e ônibus, embora em intensidade menor do que a estimada anteriormente. O dirigente também destacou sinais de recuperação gradual nessas categorias e no segmento de implementos rodoviários, movimento que relacionou, em parte, à implantação do Programa Move Brasil.
Vendas recuam em outubro na comparação com setembro
Mesmo com o avanço expressivo no acumulado do ano, o mercado apresentou desaceleração em outubro. Ao todo, foram registrados 489.119 emplacamentos, considerando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias.
O volume representa uma queda de 4,06% em relação a setembro. Na comparação com outubro de 2025, o recuo foi menor, de 0,85%.
De acordo com a Fenabrave, parte da diferença pode ser explicada pelo calendário. Outubro do ano passado teve 23 dias úteis, enquanto neste ano foram apenas 21. A quantidade menor de dias de atividade comercial influenciou o total de veículos emplacados.
Veículos eletrificados avançam e ampliam participação
A expansão dos modelos eletrificados foi um dos destaques do mercado automotivo em 2026. Entre janeiro e outubro, híbridos e veículos totalmente elétricos somaram 524.766 unidades emplacadas, crescimento superior a 130% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
A participação desses modelos também aumentou de forma significativa. Considerando automóveis e comerciais leves, os eletrificados responderam por 20,54% dos emplacamentos no Brasil. No ano passado, a proporção era de 10,67%.
Os números mostram o avanço dessa tecnologia no mercado nacional, com modelos híbridos e elétricos ocupando uma parcela cada vez maior das vendas de veículos novos.
Automóveis e comerciais leves puxam o resultado
As categorias de automóveis e comerciais leves continuam entre as principais responsáveis pelo crescimento do setor. Nos dez primeiros meses do ano, foram emplacadas 2.410.505 unidades, alta de 17,29% em relação ao mesmo período de 2025.
Em outubro, entretanto, o segmento teve queda de 5,48% na comparação com setembro. Frente ao mesmo mês do ano passado, o resultado foi positivo, com crescimento de 2,5%.
O desempenho acumulado reforça a importância dessas categorias para a expansão do mercado brasileiro de veículos novos.
Caminhões e ônibus seguem abaixo do desempenho esperado
Os segmentos de caminhões e ônibus ainda enfrentam dificuldades para recuperar o volume de vendas. Entre janeiro e outubro, a retração acumulada foi de 4,18%, abaixo da queda de 8,36% registrada até setembro.
Na comparação entre outubro de 2026 e o mesmo mês de 2025, porém, houve redução de 10,26% nos emplacamentos.
Apesar dos números negativos, a Fenabrave identifica uma recuperação gradual nessas categorias. A entidade considera que o cenário começa a melhorar, embora os resultados ainda estejam abaixo do esperado no início do ano.
Motocicletas alcançam recorde histórico
Outro destaque do levantamento foi o segmento de motocicletas. Entre janeiro e outubro, foram emplacadas 1.985.816 unidades, o maior volume já registrado para esse intervalo na série histórica. O resultado representa crescimento de 8,90% em relação aos dez primeiros meses de 2025.
Segundo Arcelio Junior, a procura por motocicletas está relacionada a diferentes necessidades, desde o transporte individual até a utilização profissional, especialmente nas grandes cidades.
O dirigente também apontou que essa diversidade de uso contribui para sustentar a demanda, mesmo diante de oscilações mensais. Na avaliação da federação, o menor número de dias úteis também ajudou a explicar a queda registrada em outubro.
Com mais de 4,7 milhões de veículos emplacados até outubro, o mercado brasileiro apresenta desempenho superior ao projetado inicialmente pela indústria. A Fenabrave, agora, espera que o setor encerre 2026 com expansão de 12,8%, embora a recuperação ainda seja desigual entre as diferentes categorias.
*Da Agência Fonte Exclusiva
