Estatal postal enfrenta queda de receita e estima déficit bilionário até 2026

Empresa atribui cenário à concorrência, mudanças no mercado e redução de importações

Estatal enfrenta queda de receita e prepara medidas para reduzir prejuízo até 2026.

Foto | Divulgação

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos estima encerrar 2026 com prejuízo de aproximadamente R$ 9,1 bilhões, o maior já registrado pela companhia. A projeção consta em relatório interno elaborado pela Diretoria Econômico-Financeira e divulgado recentemente pela imprensa.

O documento descreve uma sequência de perdas de clientes e faturamento que estaria ligada a problemas operacionais. Segundo a análise, a queda na qualidade dos serviços impactou diretamente a entrada de recursos, reduzindo a capacidade da estatal de cumprir obrigações financeiras e manter equilíbrio de caixa.

Nos nove primeiros meses de 2025, a receita somou R$ 16,94 bilhões, valor 17,6% inferior ao obtido no mesmo período do ano anterior, o que representa redução de R$ 3,23 bilhões. A diretoria aponta que grandes contratantes — responsáveis por mais da metade do faturamento — passaram a negociar de forma mais cautelosa, dificultando acordos e comprometendo resultados previstos.

Outro fator relevante foi a diminuição do volume de encomendas internacionais após mudanças tributárias nas importações. A medida reduziu o fluxo de mercadorias e provocou perda estimada em R$ 2,2 bilhões no ano de 2024. Para 2025, a projeção inicial de prejuízo caiu de R$ 7,9 bilhões para R$ 5,8 bilhões após adiamento de cerca de R$ 3,1 bilhões em pagamentos a fornecedores, tributos e compromissos trabalhistas.

Diante do cenário, a empresa estruturou um plano de reorganização financeira. Em dezembro, foi firmado contrato de financiamento de R$ 12 bilhões com cinco instituições bancárias — Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — com garantia do governo federal e prazo de quitação até 2040.

Entre as medidas previstas estão o encerramento de cerca de mil agências, programas de desligamento voluntário que podem atingir até 15 mil empregados e alienação de imóveis considerados não essenciais. A estimativa é gerar economia anual próxima de R$ 7,4 bilhões.

O relatório ressalta que a situação não é apenas conjuntural, mas indica limites estruturais do modelo de operação atual diante da concorrência e das exigências legais do serviço postal. A companhia trabalha com a meta de equilibrar as contas até 2026 e voltar a apresentar lucro a partir de 2027.

*Da Agência: Fonte Exclusiva

Sair da versão mobile