Entenda o pacote de R$ 9,5 bi anunciado por Lula para conter tarifaço de Trump

Medidas incluem crédito subsidiado, incentivos tributários e compras públicas para setores mais afetados, condicionados à manutenção de empregos

Sem acordo com Trump, Lula lança pacote emergencial de R$ 9,5 bilhões para mitigar impacto de tarifas sobre exportações brasileiras, com crédito, benefícios fiscais e compras governamentais.

Setor de pescados brasileiro é um dos afetados pelo tarifaço (Shuttershock)

Sem encontrar espaço para negociação com o governo de Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (13/08), um pacote de medidas no valor de R$ 9,5 bilhões para reduzir os efeitos do tarifaço de 50% aplicado a grande parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos.

O programa, batizado de Brasil Soberano, prevê crédito subsidiado, adiamento de tributos, incentivos fiscais e compras governamentais de produtos dos setores prejudicados, com a exigência de que as empresas beneficiadas mantenham os postos de trabalho.

A sobretaxa, em vigor desde 6 de agosto, foi justificada por Trump com alegações de perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por decisão do STF, acusado de obstrução de Justiça.

Lula, ao apresentar as medidas, rejeitou retaliações imediatas e criticou a postura da Casa Branca, reafirmando a autonomia do Judiciário brasileiro e refutando acusações de violação de direitos humanos.

Entre as ações anunciadas estão a liberação de R$ 30 bilhões em crédito via alteração no Fundo de Garantia à Exportação, aporte de R$ 4,5 bilhões em fundos garantidores, ampliação do programa Reintegra com devolução maior de tributos a exportadores até 2026 e flexibilização da lei de compras públicas para aquisição de alimentos que perderam mercado externo.

O pacote também cria a Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego para monitorar as empresas contempladas, evitar demissões e mediar acordos trabalhistas.

Estudos projetam impacto significativo no mercado de trabalho: o Dieese estima até 726,7 mil empregos em risco, enquanto a UFMG prevê uma perda líquida de cerca de 57 mil postos, caso o comércio brasileiro consiga se diversificar.

Da Agência Fonte Exclusiva.

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