Congresso debate redução da jornada de trabalho; ministro diz que 40 horas semanais são viáveis

Luiz Marinho afirma que economia do Brasil suporta diminuição de 44 para 40 horas sem impacto salarial; PECs sobre 36 horas ainda exigem estudos.

Ministro do Trabalho defende redução da jornada para 40 horas semanais sem afetar salários. Congresso avalia propostas de PECs que propõem 36 horas semanais com escalas diferentes.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O debate sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao Congresso Nacional do Brasil nesta terça-feira (10), quando o ministro do Ministério do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a economia do país está preparada para a diminuição da jornada de 44 para 40 horas semanais sem impacto nos salários.

O pronunciamento ocorreu durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Marinho defendeu a manutenção da escala de cinco dias de trabalho seguidos de dois dias de descanso, explicando que propostas de redução para 36 horas semanais, previstas em Propostas de Emenda à Constituição (PECs) em análise, ainda necessitam de estudos mais detalhados.

“A PEC fala em redução para 36 horas semanais. Nós estamos falando que, no momento, a economia suporta redução para 40 horas semanais, não 36 horas semanais.

Se o Parlamento brasileiro desejar caminhar para estabelecer a jornada máxima do Brasil em 36 horas semanais, ele tem que calcular no tempo melhor.

O que cabe, neste momento, é redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, jornada máxima, sem redução do salário, com duas folgas na semana”, disse o ministro.

Atualmente, a CCJ analisa duas PECs sobre o tema: uma propõe redução da jornada de 44 para 36 horas semanais sem alterar a escala, com transição gradual de dez anos; a outra sugere jornada de 36 horas semanais com escala 4×3 — quatro dias de trabalho seguidos por três de descanso —, com implementação em um ano. A comissão definirá a constitucionalidade das propostas antes de encaminhá-las para votação em plenário.

O Ministério do Trabalho apresentou estudo preliminar apontando que a redução para 40 horas semanais teria impacto médio de 4,7% na folha de pagamento das empresas.

O levantamento indica ainda que dois terços dos trabalhadores formais já cumprem jornada 5×2, mas com mais de oito horas diárias, o que pode comprometer a saúde e o bem-estar dos profissionais.

Marinho ressaltou que a medida atende demandas sociais, proporcionando mais tempo para família, estudo, lazer e cultura, além de favorecer ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, aumentando a produtividade e prevenindo doenças físicas e psíquicas.

Após a audiência, o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou a criação de uma comissão especial para analisar detalhadamente as propostas antes da votação em plenário.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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