Os carros usados e seminovos seguem como a principal escolha dos brasileiros que pretendem adquirir um veículo em 2026. Segundo pesquisa da Webmotors Autoinsights, 68% dos entrevistados com intenção de compra afirmaram preferir modelos usados, contra 15% que optam por um carro zero-quilômetro. Outros 17% ainda não haviam decidido.
O levantamento ouviu 1,8 mil pessoas entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Em relação ao ano passado, a preferência pelos usados subiu de 66% para 68%, enquanto a parcela interessada em veículos novos caiu de 17% para 15%.
O preço aparece como o principal motivo para essa escolha: 79% dos consumidores que pretendem comprar um usado apontam o valor mais acessível como fator decisivo. Na sequência aparecem a maior facilidade de negociação, citada por 35%, e a possibilidade de comprar um modelo mais completo, mencionada por 32%.
Pronta entrega também pesa para 32% dos entrevistados. Menor depreciação aparece com 27% e maior variedade de opções, com 26%. Outros fatores, como valorização na troca, custo do seguro e interesse por modelos mais antigos, também entram na decisão.
A vantagem financeira, porém, não deve ser analisada apenas pelo preço anunciado. Especialistas alertam que um seminovo pode parecer mais barato inicialmente, mas exigir gastos elevados com manutenção, pneus, documentação ou reparos logo após a compra.
Também há situações em que veículos com um ou dois anos de uso chegam ao mercado por valores próximos aos de um modelo novo. Isso pode ocorrer em carros com alta procura, baixa oferta, pouca quilometragem ou quando o preço do zero-quilômetro aumentou rapidamente.
Por isso, a comparação mais adequada deve ser feita entre versões equivalentes e considerando o custo final da compra. Descontos oferecidos pela concessionária, bônus de fábrica, taxas de financiamento, seguro, IPVA, garantia e expectativa de revenda podem mudar completamente a relação entre novo e usado.
Procedência é um dos principais cuidados
Antes de fechar negócio, o histórico do veículo deve estar entre as primeiras verificações. Passagem por leilão, sinistros, restrições administrativas, alterações de quilometragem ou problemas documentais podem reduzir o valor do carro e dificultar uma futura revenda.
Uma inspeção mecânica independente também ajuda a identificar defeitos que não aparecem em uma avaliação visual. Pneus, suspensão, freios, motor, sistema de arrefecimento e sinais de colisões anteriores estão entre os pontos que merecem atenção.
Manual do proprietário e chave reserva também devem ser solicitados. Durante a visita, vale testar ar-condicionado, vidros, travas, luzes, faróis, equipamentos eletrônicos e observar eventuais alertas no painel.
Fazer um teste de rodagem é outra etapa importante. Ruídos, vibrações, problemas na direção, funcionamento do câmbio e comportamento dos freios podem revelar despesas que não seriam percebidas com o veículo parado.
Seminovo nem sempre é a melhor escolha
O principal atrativo dos seminovos é escapar de parte da depreciação que costuma ocorrer nos primeiros anos de um automóvel novo. Em contrapartida, o comprador recebe um veículo com histórico de uso, menor período de garantia — ou até sem cobertura de fábrica — e maior possibilidade de despesas de manutenção.
Quando a diferença de preço para um zero-quilômetro é pequena, a compra do novo pode se tornar mais vantajosa. Garantia de fábrica, ausência de desgaste e condições especiais de financiamento estão entre os fatores que explicam por que uma parcela dos consumidores ainda prefere o 0 km.
Na pesquisa da Webmotors, a garantia é justamente o principal motivo apontado por quem escolhe um veículo novo, seguida pela sensação de segurança e confiança e pelas melhores condições do carro.
Alguns modelos podem perder valor mais rapidamente
A depreciação também varia bastante entre modelos. Veículos que saem de linha, passam por mudança de geração ou têm pouca procura no mercado de usados tendem a perder valor com maior velocidade.
Alguns carros elétricos também podem apresentar oscilações mais intensas de preço quando há cortes frequentes no valor dos modelos novos ou evolução tecnológica acelerada. Nesse caso, fatores como bateria, seguro, manutenção e disponibilidade de assistência técnica podem influenciar o preço de revenda.
Carros premium, modelos com peças caras ou baixa disponibilidade de assistência também costumam exigir atenção redobrada.
O cenário ajuda a explicar por que o seminovo continua atraente para grande parte dos consumidores, mas especialistas reforçam que a escolha deve ir além do valor encontrado no anúncio. Procedência, custo total de propriedade e facilidade de revenda podem ser tão importantes quanto o preço pago no momento da compra.
*Da Agência Fonte Exclusiva
