BRICS encerra cúpula com defesa de reformas globais e maior integração econômica

Declaração de Nova Délhi reúne propostas para ONU, pagamentos internacionais, inteligência artificial e conflitos, além de críticas a sanções unilaterais.

BRICS encerra cúpula em Nova Délhi com propostas para reformar ONU e FMI, ampliar pagamentos em moedas locais e fortalecer cooperação em inteligência artificial.

Imagem: Ilustração/ Sputnik / Kristina Solovyova/ Via RT

Reformas na governança mundial, maior participação dos países em desenvolvimento e novas formas de integração econômica estão entre os compromissos assumidos pelo BRICS ao final da 18ª Cúpula do grupo, realizada em Nova Délhi, na Índia.

A Declaração de Nova Délhi consolidou neste fim de semana uma agenda que também aborda inteligência artificial, conflitos internacionais, terrorismo e sistemas de pagamentos.

O encontro ocorreu sob o tema “Construindo para Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade” e reuniu países com posições distintas em várias questões internacionais. Apesar dessas diferenças, o bloco chegou a um texto comum sobre alguns dos principais desafios políticos e econômicos globais.

Reforma da ONU ganha destaque

Uma das principais bandeiras reafirmadas pelo BRICS é a mudança na estrutura das Nações Unidas, especialmente no Conselho de Segurança.

O grupo defende um órgão mais representativo, democrático e capaz de ampliar a participação dos países do Sul Global nas decisões internacionais.

China e Rússia, que possuem assento permanente no Conselho de Segurança, reiteraram apoio às aspirações de Brasil e Índia para exercerem papel maior dentro da ONU, incluindo no próprio conselho.

A declaração também reforça a necessidade de ampliar a presença dos países em desenvolvimento nos organismos multilaterais e de atualizar estruturas criadas em um cenário internacional muito diferente do atual.

Mudanças também são defendidas no sistema financeiro

A reforma das instituições financeiras multilaterais também aparece entre as prioridades.

O BRICS considera que organismos como Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial precisam refletir melhor o peso econômico atual das economias emergentes e em desenvolvimento. Entre as discussões está a revisão da participação desses países nos sistemas de decisão e de cotas.

A posição acompanha uma cobrança recorrente do bloco por maior influência do Sul Global nas regras que orientam a economia mundial.

Conflitos no Oriente Médio preocupam o bloco

O cenário internacional ocupou parte importante da declaração.

Os países manifestaram preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio e defenderam contenção, diálogo e soluções diplomáticas para os conflitos. O texto também reafirma a necessidade de proteção dos civis e da infraestrutura atingida pelas hostilidades.

Instalações nucleares submetidas às salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica também receberam atenção, diante dos riscos provocados por ataques em áreas sensíveis.

Sobre os palestinos, o BRICS voltou a defender uma solução de dois Estados e o direito a um Estado palestino independente, além de maior participação da Palestina nas Nações Unidas.

Terrorismo entra na declaração

O documento adotou ainda posição de condenação ao terrorismo em todas as suas formas.

O ataque ocorrido em Pahalgam, na região de Jammu e Caxemira, em abril de 2025, que deixou 26 mortos, foi citado expressamente. O grupo defendeu responsabilização dos autores e combate a estruturas que ofereçam apoio ou abrigo a organizações terroristas.

Sanções unilaterais são criticadas

Os países do BRICS também voltaram a contestar medidas econômicas coercitivas impostas unilateralmente e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU.

Segundo o bloco, sanções dessa natureza podem afetar comércio, desenvolvimento, saúde, segurança alimentar e outros direitos das populações atingidas.

A posição faz parte de uma defesa mais ampla do multilateralismo e de regras internacionais negociadas coletivamente.

Moedas locais e pagamentos mais rápidos

Na área financeira, a cúpula avançou nas discussões para reduzir custos das transações entre os países do grupo.

A estratégia passa pela ampliação do uso de moedas nacionais no comércio e nos investimentos e pelo desenvolvimento de sistemas de pagamentos internacionais mais rápidos, baratos e seguros.

Uma força-tarefa do BRICS estuda formas de aumentar a interoperabilidade entre sistemas nacionais de pagamento. A proposta não estabelece uma moeda única para o bloco.

Tecnologias como sistemas de pagamentos instantâneos, entre eles o Pix brasileiro e o UPI indiano, estão entre as experiências observadas nas discussões sobre futuras conexões internacionais.

Inteligência artificial vira prioridade

A inteligência artificial também ganhou espaço na agenda.

O BRICS reconheceu a tecnologia como uma ferramenta com potencial para estimular produtividade, crescimento e desenvolvimento sustentável, mas destacou a importância de regras que considerem segurança, inclusão e as necessidades dos países do Sul Global.

O tema teve destaque durante a presidência indiana do bloco e deverá permanecer entre as principais áreas de cooperação nos próximos anos.

China assume próxima etapa do BRICS

A Índia encerra sua presidência rotativa após um ano marcado por centenas de encontros, reuniões técnicas e iniciativas do bloco.

Ao fim da cúpula, a presidência foi transferida para a China, que ficará responsável pela condução dos trabalhos na próxima etapa e deverá receber a 19ª Cúpula do BRICS em 2027.

A Declaração de Nova Délhi mostra que o grupo pretende ampliar sua atuação para além da coordenação diplomática, buscando fortalecer mecanismos próprios de cooperação financeira, tecnológica e econômica ao mesmo tempo em que pressiona por maior influência dos países emergentes nas instituições internacionais.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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