As negociações entre Brasil e Paraguai sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu avançam com a expectativa de definição de uma nova tarifa da energia gerada pela usina hidrelétrica binacional a partir de 2027.
Segundo o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, o novo valor deve ser divulgado até o fim deste ano, estabelecendo as condições para o próximo ciclo tarifário. A intenção, segundo ele, é manter uma das tarifas de energia mais baixas do país.
O acordo firmado entre os dois países em 2024 já previa que o preço da energia passaria a considerar apenas custos operacionais da usina, com estimativas entre US$ 10 e US$ 12 por kW/mês.
Atualmente, o custo é superior, mas parte do valor é compensado por mecanismos financeiros que reduzem o impacto ao consumidor brasileiro.
Esse modelo provisório segue válido até o fim de 2026, quando Brasil e Paraguai precisarão chegar a um novo entendimento sobre a estrutura tarifária.
No caso brasileiro, a energia de Itaipu Binacional é repassada às distribuidoras por meio da ENBPar, enquanto o Paraguai busca melhores condições de remuneração por sua parcela da produção.
As negociações envolvem interesses distintos: o Brasil defende tarifas mais baixas para reduzir custos ao consumidor e estimular setores produtivos, enquanto o Paraguai busca ampliar sua receita com a venda de energia.
O Tratado de 1973 estabelece a divisão igualitária da geração entre os dois países, e qualquer mudança na estrutura depende de consenso entre as partes.
Além da questão tarifária, está em discussão a possibilidade de o Paraguai comercializar sua energia diretamente no mercado brasileiro.
A usina de Itaipu Binacional conta com 20 unidades geradoras e cerca de 14 mil megawatts de potência instalada, sendo uma das maiores do mundo em geração anual.
Ela responde por parcela significativa do consumo elétrico do Brasil e pela maior parte da demanda energética do Paraguai.
Paralelamente, a hidrelétrica passa por um processo de modernização tecnológica estimado em cerca de US$ 900 milhões até 2035.
O projeto inclui atualização de sistemas eletrônicos e centros de controle, sem interferência nas estruturas principais da barragem.
A empresa também avalia estudos para aumento de eficiência e eventual ampliação da capacidade produtiva, o que dependerá de análises técnicas, ambientais e econômicas.
*Da Agência Fonte Exclusiva
