A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (10) o reajuste tarifário anual da Enel Distribuição Rio, que resultará em um aumento médio de 15,46% nas contas de energia elétrica. As novas tarifas passam a valer a partir do próximo domingo (15).
A distribuidora atende cerca de 2,79 milhões de unidades consumidoras em 66 municípios do estado do Rio de Janeiro. O percentual aprovado é quase quatro vezes maior que a inflação projetada para 2026, estimada em 3,99% pelo Boletim Focus.
O impacto do reajuste varia conforme o perfil do consumidor. Para clientes residenciais da classe B1, o aumento médio será de 14,07%. Já os consumidores de baixa tensão terão reajuste médio de 14,23%.
O maior impacto será sentido pelos consumidores de alta tensão, grupo que inclui indústrias e grandes empresas, que enfrentarão um aumento médio de 19,94%.
Segundo a Agência iNFRA, a Aneel considerou no cálculo do reajuste a compensação de créditos de PIS e Cofins com base na média dos últimos três meses. A distribuidora havia solicitado que o cálculo fosse feito com base em um período de 12 meses, o que poderia elevar ainda mais o percentual final.
De acordo com informações da Broadcast, o principal fator que pressionou o reajuste foi o chamado componente financeiro anterior, que teve impacto isolado de 8,41% no cálculo das tarifas. Também contribuíram para o aumento os custos com compra de energia, transporte e encargos setoriais.
Representantes de consumidores chegaram a solicitar à agência reguladora o diferimento do reajuste, medida que permitiria adiar parte do aumento para os próximos anos. O pedido, porém, foi negado pela diretoria da Aneel.
Reajuste da Light
Na mesma reunião, a Aneel também aprovou o reajuste tarifário da distribuidora Light, responsável pelo fornecimento de energia em parte do estado do Rio de Janeiro.
No caso da Light, o aumento médio aprovado foi de 8,59%, percentual superior aos 3,81% inicialmente propostos pela área técnica da agência.
Segundo o diretor Gentil Nogueira, relator dos dois processos, a diferença entre os reajustes aplicados à Enel Rio e à Light está relacionada aos diferentes estágios em que cada empresa se encontra na compensação e devolução de créditos tributários de PIS e Cofins.
Um estudo da consultoria Thymos Energia, citado pelo Canal Solar, aponta que as contas de luz no Brasil devem registrar em 2026 um aumento médio de 7,64%, quase o dobro da inflação prevista para o período. Em algumas distribuidoras, no entanto, os reajustes podem superar três vezes a inflação.
No caso da Enel Rio, a empresa informou que a decisão da Aneel sobre os créditos de PIS e Cofins poderá gerar impacto de aproximadamente R$ 130 milhões em sua arrecadação ao longo do ano.
*Da Agência Fonte Exclusiva
