A estilista brasileira Karoline Vitto, conhecida por sua atuação em grandes semanas de moda como as de Londres e Milão, tem como base de seu trabalho o respeito à diversidade e à valorização dos corpos reais. Para ela, a diferença entre imagens geradas por IA e as protagonizadas por pessoas está na sinergia criativa, algo essencial para a moda.
A fala de Karoline ecoou após a repercussão de uma campanha da Guess, publicada na edição de agosto da Vogue, com uma modelo inteiramente digital, criada pelo estúdio britânico Seraphinne Vallora. A iniciativa, solicitada pelo cofundador da marca, Paul Marciano, gerou debates intensos no setor.
Valentina Gonzalez, sócia do estúdio, contou que foram criadas dez modelos, entre as quais Marciano escolheu duas — uma morena e uma loira — que foram desenvolvidas até a versão final. Embora reconheça a eficiência da IA em áreas como organização e produção de ensaios fotográficos, Karoline reforça que “nada substitui o momento da troca entre pessoas num set”.
O uso crescente de IA preocupa profissionais do setor, especialmente pelo risco de substituição de talentos como fotógrafos, diretores de arte e modelos. Olivia Merquior, CEO da IARA, aponta que o mercado atual prioriza métricas digitais e redução de custos, em vez de vínculos artísticos. “Antes, as marcas valorizavam colaborações duradouras, como Steven Meisel com a Versace. Hoje, a escolha muitas vezes se baseia apenas em planilhas de custo.”
Ela alerta que a padronização de campanhas pode empobrecer a estética das marcas. Por outro lado, a IA também oferece ferramentas que revelam padrões e ajudam a romper estereótipos. “Depende de como é usada: para ampliar a criatividade ou para substituir por algo genérico e barato.”
Gigi Casimiro, cofundadora do WeAR Experience, chama atenção para os impactos na representação estética. Segundo ela, a geração de imagens por IA tende a seguir padrões estéticos enviesados, agravando problemas como falta de diversidade e expectativas irreais de beleza.
Essa discussão, no entanto, não é nova. A modelo digital Miquela Sousa já trabalhava com grandes marcas como Prada e Givenchy desde 2020, acumulando milhões de seguidores. Em artigo da Vogue, Sinead Bovell alertava: “Sou modelo e sei que a IA tomará meu lugar.”
O outro lado da história é representado pelas criadoras da Seraphinne Vallora. Sem recursos para contratar modelos, Valentina e sua sócia Andreea Petrescu usaram suas habilidades em design e arquitetura para criar suas próprias modelos. O sucesso foi rápido, e elas passaram a atender grandes veículos como Elle e The Wall Street Journal. Para Gigi Casimiro, esse movimento rompe barreiras de acesso e pode democratizar a produção criativa, mesmo que afete certas profissões.
Lições do caso Guess:
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Nem todo público aceita campanhas com IA, por isso conhecer o consumidor é essencial.
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Marcas de luxo devem manter exclusividade e autoralidade como pilares.
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Diretores criativos devem atuar cada vez mais como curadores.
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Modelos reais poderão proteger sua imagem por contratos e royalties com plataformas de IA.
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A convivência entre produção otimizada e criação autoral deve ser equilibrada com pensamento crítico.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da Forbes.
