Luis Turiba, poeta e jornalista, morre aos 76 anos em Salvador

Autor de “Kiprokó” e criador da revista Bric-a-Brac construiu trajetória entre jornalismo, literatura, cultura e defesa da democracia.

Luis Turiba, poeta, jornalista e criador da revista Bric-a-Brac, morre aos 76 anos em Salvador. Autor também recebeu dois Prêmios Esso e anistia política.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O jornalismo e a poesia brasileira perderam nesta semana uma de suas figuras mais atuantes. Luis Turiba morreu na madrugada de quarta-feira (26), em Salvador, aos 76 anos, após complicações de saúde. O poeta, jornalista e ativista cultural deixa cinco filhos, seis netos e uma produção construída ao longo de quase cinco décadas.

Nascido no Recife, em 1950, Luiz Artur Toribio iniciou a carreira de repórter no Rio de Janeiro aos 23 anos. Trabalhou em veículos como O Globo, Manchete, Gazeta Mercantil, Jornal de Brasília e Correio Braziliense e recebeu duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo.

Brasília marcou trajetória cultural

Turiba se estabeleceu em Brasília no fim da década de 1970 e passou a ter presença constante na vida cultural da capital.

Na literatura, publicou o primeiro livreto de poemas, “Kiprokó”, em 1977. Mais tarde, esteve entre os responsáveis pela criação da revista Bric-a-Brac, que reuniu poesia, fotografia, artes gráficas e entrevistas e se tornou referência no cenário cultural brasiliense.

Entre outros trabalhos estão “Cadê”, vencedor do Prêmio Candango de Literatura em 1998, “Quetais”, “Poeira Cósmica” e “Desacontecimentos”. Em reconhecimento à contribuição para a cultura local, recebeu o título de Cidadão Brasiliense.

Passagem pelo Ministério da Cultura

O jornalista também integrou equipes do Ministério da Cultura. Trabalhou na assessoria de imprensa da pasta desde sua criação, em 1985, e retornou anos depois durante a gestão de Gilberto Gil, quando atuou na comunicação e participou de projetos ligados às políticas culturais.

Entre os trabalhos audiovisuais realizados nesse período estão documentários como “Gil na ONU” e “A Capoeira no Mundo”.

Perseguição durante a ditadura

A trajetória de Turiba também foi marcada pela repressão política. Ainda jovem, participou do movimento estudantil, foi preso durante a ditadura militar e permaneceu sob perseguição do Estado por anos.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia reconheceu oficialmente sua condição de anistiado político. Na ocasião, o Estado brasileiro formalizou um pedido de desculpas pelas violações sofridas.

Legado entre poesia e jornalismo

Mesmo depois de deixar a rotina diária das redações, Turiba continuou dedicado à literatura e aos projetos culturais.

Sua obra misturou poesia, crônica, reportagem, música e experimentação gráfica, mantendo uma relação constante entre o olhar jornalístico e a criação literária.

Com sua morte, ficam livros, reportagens, revistas, documentários e uma trajetória ligada à cultura e à defesa da democracia brasileira.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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