Assistir ao novo épico de Christopher Nolan exatamente no formato idealizado pelo diretor será uma possibilidade restrita a poucos espectadores.
Embora “A Odisseia” tenha sido filmado integralmente com câmeras de película IMAX, somente 41 cinemas no mundo estão preparados para projetar a obra em IMAX 70 mm. Nenhuma dessas salas está localizada no Brasil.
A limitação técnica ganhou destaque com a estreia do longa e provocou discussões nas redes sociais sobre o impacto do formato na experiência do público. As principais dúvidas envolvem a proporção da imagem, o nível de detalhes e as diferenças entre uma sessão convencional, um IMAX digital e a projeção analógica em 70 mm.
“A Odisseia” tornou-se o primeiro longa-metragem narrativo filmado inteiramente com câmeras de película IMAX. O processo permite utilizar uma área maior de negativo e registrar imagens concebidas para ocupar telas de grandes dimensões.
O formato completo, porém, depende de projetores específicos, cópias físicas volumosas e profissionais preparados para operar equipamentos que deixaram de ser comuns com a digitalização das salas de cinema.
A utilização da marca IMAX pode provocar confusão porque o termo aparece tanto na descrição das câmeras usadas nas filmagens quanto na identificação das salas de exibição.
No caso de “A Odisseia”, todo o material foi captado com câmeras IMAX de película. Isso não significa, entretanto, que todas as sessões serão projetadas no mesmo suporte utilizado durante a produção.
O filme foi preparado para diferentes sistemas de exibição. Além do IMAX 70 mm, há versões destinadas a salas IMAX digitais, projetores a laser, película convencional de 70 mm e cinemas tradicionais.
A narrativa, os diálogos e os elementos indispensáveis à compreensão da obra permanecem presentes em todas essas versões. O que varia é a quantidade de imagem exibida, o tamanho da tela, a definição percebida, a luminosidade e a capacidade do sistema sonoro.
O IMAX 70 mm utiliza uma película que passa horizontalmente pelo projetor. Cada quadro possui 15 perfurações, estrutura conhecida como 15/70, responsável por oferecer uma área de imagem significativamente maior do que a dos formatos tradicionais.
Uma das diferenças mais visíveis está no enquadramento. Nas salas equipadas para o IMAX 70 mm, “A Odisseia” é apresentado na proporção expandida de 1.43:1.
Esse formato aproveita a altura das grandes telas IMAX e mostra uma área maior nas partes superior e inferior da imagem. A sensação é de que o quadro envolve o campo de visão do espectador, especialmente em cenas panorâmicas ou de grande escala.
Em muitas salas IMAX digitais, a projeção ocorre em 1.90:1. Já os cinemas convencionais podem utilizar proporções mais horizontais, dependendo dos equipamentos e da versão distribuída.
A diferença não significa necessariamente que a versão convencional esteja incompleta. Durante a produção, os enquadramentos são planejados para preservar personagens, ações e informações fundamentais mesmo quando a área exibida é menor.
No IMAX 70 mm, porém, o público recebe uma porção adicional da imagem em determinadas cenas. Paisagens, embarcações, batalhas, tempestades e sequências com multidões podem ganhar maior impacto quando ocupam praticamente toda a altura da tela.
O público brasileiro terá acesso ao filme em salas convencionais, espaços premium e cinemas IMAX digitais. O país, entretanto, não aparece na relação oficial de locais preparados para exibir “A Odisseia” em película IMAX 70 mm.
Essa ausência não significa que as sessões disponíveis no Brasil tenham baixa qualidade. Uma sala digital moderna pode oferecer excelente luminosidade, contraste, definição e reprodução sonora.
A experiência dependerá das condições de cada cinema. Tamanho da tela, potência do projetor, manutenção dos equipamentos, acústica e calibração do áudio influenciam diretamente o resultado.
Em determinadas situações, uma sala digital bem conservada pode oferecer uma experiência superior à de um espaço que anuncia um formato premium, mas apresenta problemas de iluminação, foco ou som.
Para quem deseja maior imersão, a recomendação é procurar cinemas com telas amplas, projeção a laser e sistemas de áudio de alta potência. Salas IMAX digitais continuam sendo uma opção relevante, ainda que não reproduzam todas as características da película 15/70.
A preferência pelo IMAX está ligada à forma como Christopher Nolan desenvolve suas produções. O diretor utiliza o grande formato para aumentar a escala das cenas e reforçar a sensação de presença do espectador.
Em trabalhos como “Dunkirk”, “Tenet” e “Oppenheimer”, Nolan já havia empregado câmeras IMAX em partes significativas das filmagens. Em “A Odisseia”, o cineasta ampliou essa estratégia e utilizou o sistema durante toda a produção.
A escolha exigiu adaptações técnicas, principalmente nas cenas com diálogos. As câmeras IMAX tradicionais são grandes e produzem elevado nível de ruído, o que historicamente dificultava seu uso em momentos mais silenciosos.
O desenvolvimento de equipamentos mais modernos e menos ruidosos permitiu que o formato deixasse de ficar restrito às cenas de ação e fosse empregado em todas as etapas da narrativa.
A produção apresenta Matt Damon como Odisseu e reúne no elenco Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Zendaya e Charlize Theron. O filme adapta a obra atribuída a Homero e acompanha a longa viagem do protagonista para retornar à sua terra depois da Guerra de Troia.
A pequena quantidade de cinemas com IMAX 70 mm está relacionada ao custo e à complexidade da tecnologia.
As cópias em película possuem grandes dimensões e exigem cuidados especiais no transporte, no armazenamento e na montagem. Os projetores também precisam de manutenção especializada e operadores capacitados.
Outro obstáculo é a baixa quantidade de filmes lançados nesse formato. Como poucas produções são filmadas ou distribuídas em IMAX 70 mm, o investimento pode não ser economicamente viável para muitas redes exibidoras.
Segundo informações divulgadas sobre a distribuição de “A Odisseia”, 25 das 41 salas preparadas para o formato estão nos Estados Unidos. Os demais locais estão distribuídos por poucos países, o que levou fãs a viajarem longas distâncias para acompanhar o lançamento na apresentação preferida por Nolan.
A digitalização também reduziu a presença dos projetores analógicos. Por isso, a expansão das salas IMAX ocorre principalmente por meio de sistemas digitais e a laser, considerados mais simples de operar e compatíveis com um número maior de lançamentos.
A atenção dedicada à imagem não deve deixar o áudio em segundo plano. Em um épico de grandes proporções, o sistema sonoro possui papel decisivo na construção da atmosfera.
Cenas marítimas, tempestades, batalhas e deslocamentos de grandes embarcações dependem da combinação entre trilha, efeitos e diálogos para produzir impacto.
Uma sala com acústica adequada e caixas corretamente calibradas pode ampliar a sensação de imersão, mesmo sem a projeção em película.
O contrário também é possível. Uma tela grande perde parte de sua força quando o som apresenta volume inadequado, distorções ou dificuldade para reproduzir claramente as falas.
A impossibilidade de assistir a “A Odisseia” em IMAX 70 mm no Brasil não impede que o público tenha uma experiência cinematográfica de alto nível.
O formato em película oferece uma apresentação rara, com imagem expandida e elevada capacidade de reprodução de detalhes. Ainda assim, a qualidade de uma sessão não depende exclusivamente dessa tecnologia.
A força de um filme continua ligada ao roteiro, às interpretações, à direção, à fotografia, à montagem e à relação criada com o espectador. O formato pode ampliar essas características, mas não substitui os elementos narrativos.
Para o público brasileiro, a escolha mais adequada será uma sala que reúna boa projeção, tela de grandes dimensões e sistema de som eficiente.
“A Odisseia” evidencia a distância existente entre a tecnologia mais avançada de captação e a realidade da maioria dos cinemas. Ao mesmo tempo, reforça a tentativa da indústria de transformar determinados lançamentos em experiências capazes de competir com o consumo doméstico por streaming.
*Da Agência Fonte Exclusiva
