Tribunal do júri do Rio determina soltura de Monique Medeiros; Jairinho permanecerá preso

Adiamento do júri de Henry Borel leva juíza a responsabilizar defesa de Jairinho e transferir representação para a Defensoria Pública.

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, é liberada após decisão do tribunal do júri no Rio, enquanto Dr. Jairinho continuará preso. Adiamento do julgamento motivou medidas contra defesa do ex-vereador.

Imagem: PCRJ/Divulgação

O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro determinou nesta segunda-feira (13) a soltura da professora Monique Medeiros da Costa, acusada de envolvimento na morte do filho Henry Borel, de 4 anos, enquanto o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior permanecerá preso.

A decisão segue o adiamento do julgamento, remarcado para 25 de maio, após os advogados de Jairinho abandonarem o plenário alegando falta de acesso completo às provas digitais do processo.

A juíza Elizabeth Machado Louro destacou que a situação processual de Monique é distinta da de Jairinho:

“O retardo no andamento da marcha processual de forma alguma pode ser imputado à defesa da acusada, que comparece pronta para a realização do julgamento.”

O abandono do plenário pelos advogados de Jairinho foi considerado inadmissível pela magistrada, prejudicando a administração da Justiça e os próprios réus. Ela também determinou que a defesa arque com todos os custos da sessão adiada, incluindo deslocamento de promotores, jurados, testemunhas, policiais, serviços terceirizados, escolta, energia elétrica e alimentação.

Para evitar novos incidentes, Elizabeth Machado Louro determinou que a defesa de Jairinho seja realizada por um defensor público durante o júri.

No caso, Jairinho é acusado de homicídio qualificado por meio cruel, com agravantes, e coação no curso do processo, enquanto Monique responde por homicídio por omissão qualificado, também com agravantes, e coação processual.

O crime ocorreu em 2021, na Barra da Tijuca. Segundo a denúncia, Jairinho causou lesões que resultaram na morte de Henry, e Monique teria se omitido na proteção do filho.

Na madrugada do óbito, a criança foi levada a um hospital particular sob alegação de acidente doméstico, mas o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou 23 lesões por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna.

As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era submetido a rotinas de tortura pelo padrasto, com ciência da mãe. Após a decisão, o pai da criança, Leniel Borel, afirmou sentir que seu filho foi morto novamente.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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