Quissamã completa sete anos sem feminicídios e destaca rede de proteção às mulheres

Município do Norte Fluminense não registra casos desde 2019 e mantém atuação integrada com acolhimento, medidas protetivas, patrulhamento e ações de prevenção.

Em um cenário nacional ainda marcado por casos de violência contra a mulher, Quissamã, no Norte Fluminense, chama atenção por um indicador importante. O município está há sete anos sem registrar casos de feminicídio.

O resultado é relacionado ao trabalho desenvolvido por uma rede de proteção que reúne diferentes serviços municipais e órgãos de segurança. A estrutura foi fortalecida a partir de 2019 e acompanha mulheres em situação de violência desde o primeiro atendimento até situações que exigem medidas protetivas e monitoramento.

Entre os serviços disponíveis está o atendimento especializado às mulheres, com suporte psicológico, social e jurídico. A proposta é oferecer acolhimento e orientação para que a vítima consiga romper o ciclo de violência e tenha acesso aos direitos previstos em lei.

Nos casos em que há necessidade de proteção judicial, as mulheres recebem orientação para solicitar medidas protetivas de urgência. Depois da concessão, o acompanhamento pode continuar por meio da Patrulha Maria da Penha, que atua na fiscalização e no contato com mulheres consideradas em situação de risco.

A integração entre os serviços permite que diferentes setores compartilhem informações e acompanhem os casos com maior proximidade. Polícia Civil, assistência social, profissionais especializados e agentes ligados à proteção das mulheres participam desse trabalho.

A estratégia adotada no município também inclui uma frente menos conhecida, mas considerada importante na prevenção de novas agressões: o acompanhamento dos homens autores de violência.

Por meio de atendimento especializado e grupos de reflexão, homens envolvidos em episódios de violência doméstica participam de atividades voltadas à conscientização sobre comportamento, responsabilidade e prevenção da reincidência.

O objetivo é agir não apenas depois que a violência ocorre, mas também tentar interromper comportamentos que podem resultar em novas agressões.

Autonomia financeira também faz parte da proteção

Outro ponto trabalhado pela rede é a independência financeira das mulheres atendidas.

A dificuldade de manter a própria renda é apontada como um dos fatores que podem fazer com que vítimas permaneçam em relacionamentos abusivos. Por isso, ações de qualificação profissional, cursos e iniciativas voltadas à geração de renda fazem parte das estratégias de apoio.

A intenção é ampliar as condições para que essas mulheres retomem a vida com mais segurança e independência.

Sete anos sem feminicídio não significam ausência de violência

Apesar do resultado positivo, o fato de Quissamã não registrar feminicídios há sete anos não significa que episódios de violência doméstica tenham deixado de ocorrer no município.

Os atendimentos realizados pela rede mostram que agressões, ameaças e outras formas de violência contra a mulher continuam exigindo atenção permanente das autoridades e dos serviços de proteção.

O feminicídio representa a forma mais extrema dessa violência. Por isso, o trabalho preventivo busca identificar situações de risco antes que elas avancem para consequências mais graves.

A atuação conjunta permite que mulheres ameaçadas sejam acompanhadas, recebam orientação e tenham acesso aos mecanismos de proteção disponíveis.

Prevenção e acompanhamento contínuo

A experiência de Quissamã mostra que o enfrentamento à violência contra a mulher vai além da atuação policial.

O trabalho envolve acolhimento, assistência psicológica, orientação jurídica, fiscalização de medidas protetivas, geração de renda e acompanhamento dos responsáveis pelas agressões.

Ao manter diferentes serviços conectados, o município tenta reduzir os riscos e impedir que episódios de violência evoluam para situações fatais.

Depois de sete anos sem registros de feminicídio, o desafio agora é manter a rede funcionando de forma permanente e continuar ampliando o acesso das mulheres aos canais de proteção.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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