Prefeitos brasileiros assistem a palestra política de oficial israelense fora do roteiro oficial da missão

imagens de redes sociais mostram que prefeitos foram orientados por oficial israelense a defender a narrativa de israel sobre o conflito em gaza.

Imagens de redes sociais revelam que prefeitos brasileiros ouviram orientações políticas de oficial israelense durante missão em Israel. A atividade, fora do roteiro oficial, incentivou defesa da narrativa de Israel sobre Gaza.

Imagem: redes sociais

Imagens divulgadas em redes sociais revelam que prefeitos brasileiros, durante missão oficial em Israel, participaram de uma palestra com teor político conduzida por um oficial israelense. A atividade não constava na programação oficial da missão “Muni Israel 2025”, organizada com o apoio do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

A comitiva, que chegou ao país no dia 9 de junho, viajou com o objetivo declarado de promover intercâmbio em temas como segurança urbana, inovação tecnológica e gestão pública. Segundo documentos oficiais, estavam previstas visitas a centros de monitoramento, empresas de tecnologia e encontros com autoridades locais. No entanto, segundo relato de um dos participantes, a palestra de teor político foi articulada após a escalada da tensão entre Israel e Irã.

Durante a apresentação, o oficial identificado como Rafael convocou os prefeitos a agirem como “embaixadores da verdade” ao retornarem ao Brasil, defendendo a versão israelense sobre o conflito em Gaza. Ele criticou veículos da imprensa tradicional e afirmou que há uma “guerra midiática perdida” por parte de Israel, em razão das acusações de genocídio e uso desproporcional da força.

Boa parte da palestra foi dedicada a contestar essas acusações. Rafael utilizou o artigo 57 do Protocolo I da Convenção de Genebra (1977) para argumentar que ataques com vítimas civis podem ser considerados proporcionais, dependendo do alvo e da vantagem militar. Chegou a afirmar que até mesmo um cozinheiro que prepara refeições para o Hamas seria um alvo legítimo, o que contraria a interpretação humanitária do tratado.

Segundo ele, Israel teria eliminado 25 mil combatentes desde o início da guerra, o que, segundo sua lógica, indicaria uma proporção reduzida de civis mortos — inferior a 1 para 1, contrariando estimativas da ONU sobre conflitos urbanos, que apontam até nove civis por combatente morto.

Rafael também deslegitimou os dados oficiais do Ministério da Saúde de Gaza, acusando-os de não distinguirem mortes naturais ou de combatentes. “Na Faixa de Gaza, todas as pessoas que morrem, morrem por ataques israelenses”, ironizou.

A palestra não estava listada no roteiro oficial da missão, que incluía visitas a áreas próximas à Faixa de Gaza e encontros com familiares de vítimas dos ataques de 7 de outubro. A atividade só veio à tona após a publicação das imagens em redes sociais e a repercussão nos meios de comunicação.

A viagem ganhou destaque nacional após o resgate emergencial dos prefeitos via Jordânia em 16 de junho, realizado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que havia alertado previamente sobre os riscos de viagem à região.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Sair da versão mobile