Justiça afasta gestora acusada de desviar milhões de entidades católicas no Rio

MPRJ denunciou esquema que teria operado por mais de uma década com uso de empresa de fachada.

Fachada da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, no Centro do Rio de Janeiro, tombada pelo IPHAN e com fachada colonial no cruzamento da Rua do Rosário com a Avenida Rio Branco

Wikimedia Commons/reprodução.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Área do Centro e Zona Portuária, ofereceu denúncia contra Brígida Rachid José Pedro, acusada de desviar aproximadamente R$ 12 milhões de quatro instituições católicas ao longo de uma década. Ela responderá pelos crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro.

De acordo com a denúncia, a acusada estruturou um esquema sofisticado de drenagem patrimonial de entidades religiosas e assistenciais centenárias, valendo-se de abuso de confiança e do uso fraudulento de empresas para ocultar a origem dos recursos. As vítimas são a Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz, o Patrimônio da Caridade da Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz, a Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte e a Caixa de Caridade da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte.

Um dos reflexos mais visíveis da má gestão apontada pelo MPRJ é a situação da Igreja Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, localizada na Rua do Rosário, no Centro do Rio. Administrado por uma das irmandades sob responsabilidade da denunciada, o templo com cerca de três séculos de história permanece fechado há anos e apresenta elevado grau de deterioração.

Segundo o Ministério Público, o esquema teve início em 2011, quando Brígida assumiu a administração das irmandades após suceder os pais, passando a exercer controle absoluto sobre os bens eclesiásticos. A partir desse momento, foi criada a empresa Support Serviços Empresariais, utilizada como principal instrumento para o desvio de recursos.

As investigações apontam que a Support foi constituída apenas 16 dias antes de ser contratada pelas irmandades e não possuía estrutura operacional compatível com os serviços que supostamente prestava. Não foram identificados funcionários registrados em seu nome, e o capital social declarado era de apenas R$ 2 mil, apesar da movimentação de milhões de reais ao longo dos anos.

Para o MPRJ, a empresa funcionava exclusivamente como fachada para permitir a transferência ilícita de recursos das entidades religiosas para o patrimônio pessoal da denunciada, ocultando e dissimulando a origem dos valores desviados. Após ingressarem na conta da empresa, os recursos eram repassados à acusada por meio de operações financeiras destinadas a dificultar o rastreamento.

Além das provas documentais e financeiras, a investigação reuniu um conjunto robusto de depoimentos que corroboram a existência do esquema criminoso.

Ao receber a denúncia, o Juízo da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa determinou o afastamento imediato de Brígida Rachid José Pedro da gestão das irmandades, a nomeação de um interventor indicado pela Mitra Arquiepiscopal e a proibição de acesso da acusada às sedes, documentos, contas bancárias e demais estruturas das instituições, bem como a seus funcionários.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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