Cinelândia recebe ato em defesa dos direitos da população em situação de rua no Rio

Mobilização reuniu 25 organizações, movimentos sociais e pessoas em situação de rua para denunciar violações e reivindicar mais políticas públicas.

Mobilização na Cinelândia reúne 25 organizações e cobra políticas públicas e direitos para pessoas em situação de rua no Rio.

Imagem: Reprodução/Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, recebeu nesta quarta-feira (18) uma mobilização em defesa dos direitos da população em situação de rua. O ato reuniu pessoas que vivem nas ruas, movimentos sociais, entidades e profissionais que atuam na área, em uma programação relacionada ao Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, celebrado em 19 de agosto.

Ao todo, 25 organizações apoiaram a manifestação. Entre as principais reivindicações estão o fortalecimento das políticas públicas, o combate às violações de direitos e a ampliação de medidas voltadas à moradia, saúde, assistência social e geração de renda.

A presidente do Instituto Lar, Ana Paula Rios, destacou que o crescimento do número de pessoas em situação de rua exige uma atuação conjunta entre governos, organizações da sociedade civil e aqueles que vivenciam diretamente essa realidade.

Segundo ela, a participação das próprias pessoas em situação de rua na elaboração das políticas públicas é fundamental para que as ações desenvolvidas estejam de acordo com as necessidades desse grupo.

Mulheres enfrentam riscos específicos

Durante o ato, a defensora pública Cristiane Xavier, do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, chamou atenção para as vulnerabilidades enfrentadas pelas mulheres que vivem nas ruas.

De acordo com a defensora, esse grupo está sujeito a diferentes formas de violência, tanto em espaços públicos quanto em relações pessoais e durante o acesso aos serviços públicos. Ela também ressaltou que parte dessas mulheres chega à situação de rua após episódios de violência doméstica e familiar.

A maternidade é outro ponto de preocupação. Cristiane Xavier mencionou casos de separação entre mães em situação de rua e seus filhos após o nascimento e defendeu políticas específicas para proteger tanto as mulheres quanto as crianças.

Data lembra vítimas do Massacre da Sé

O Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua é celebrado em 19 de agosto e está relacionado ao episódio conhecido como Massacre da Sé, ocorrido em São Paulo em agosto de 2004.

Na ocasião, pessoas que dormiam na Praça da Sé foram atacadas. Sete morreram e outras seis ficaram com sequelas permanentes. O episódio se tornou um símbolo da luta pelos direitos da população em situação de rua e contribuiu para a mobilização que deu origem à data nacional.

A celebração busca preservar a memória das vítimas e reforçar a necessidade de políticas destinadas à proteção, à dignidade e à garantia de direitos básicos.

CadÚnico registra mais de 388 mil pessoas

Os dados mais recentes do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) mostram a dimensão do problema no país. Em maio de 2026, mais de 388 mil pessoas em situação de rua estavam registradas no sistema.

São Paulo concentrava o maior número, com quase 160 mil registros. O Rio de Janeiro aparecia em segundo lugar, com mais de 35 mil pessoas, seguido por Minas Gerais, com mais de 34 mil.

Diante desse cenário, os participantes da mobilização defenderam a ampliação de políticas públicas que garantam acesso à moradia, assistência social, atendimento de saúde, oportunidades de trabalho e outros direitos fundamentais.

A manifestação na Cinelândia reforçou, assim, a necessidade de colocar a população em situação de rua no centro das discussões sobre políticas sociais e de ampliar a participação desse grupo na construção das soluções para o problema.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Sair da versão mobile