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Anuário do Petróleo destaca crescimento da Bacia de Campos e mostra como Macaé busca diversificar a economia com novos investimentos e setores.

Imagem: Divulgação

Bacia de Campos retoma crescimento e Macaé busca reduzir dependência dos royalties

Anuário do Petróleo no Rio mostra avanço da produção, chegada de novas empresas e investimentos que podem movimentar a economia do Norte Fluminense.

redacao Por redacao
04/09/2026 - 15:02
em Cidades
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A Bacia de Campos voltou a ganhar força na produção de petróleo e, ao mesmo tempo, Macaé tenta aproveitar o novo ciclo de investimentos para ampliar sua economia e diminuir a dependência das receitas provenientes dos royalties. Os dois movimentos foram destaque na 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio, lançado nesta quinta-feira (3), na sede da Firjan, em Macaé.

Produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em parceria com Senai e Sesi, o estudo reúne dados sobre petróleo, gás e energia, além de análises sobre produção, investimentos, arrecadação e perspectivas para os próximos anos.

A publicação contou com contribuições de órgãos públicos, empresas, associações e especialistas, entre eles Rystad Energy, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Casa Civil da Presidência da República, PPSA, Siemens Energy, ABPIP, Veirano Advogados, Petrobras e ONIP.

Produção da Bacia de Campos volta a avançar

Os números apresentados no anuário mostram que o estado do Rio de Janeiro produziu aproximadamente 1,2 bilhão de barris de petróleo em 2025, com média de cerca de 3,3 milhões de barris por dia. O resultado representou alta de 13% em relação a 2024.

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A participação do Rio na produção nacional também cresceu pelo sexto ano consecutivo, chegando a 88%. Na Bacia de Campos, a produção média ficou em 741 mil barris por dia, aumento de 9% na comparação com o ano anterior.

O ritmo continuou nos primeiros sete meses de 2026. Nesse intervalo, a média diária produzida na bacia ficou 11% acima do registrado em 2025.

Mais de 75% da produção da Bacia de Campos em 2025 veio da área localizada no território fluminense. No Norte Fluminense, o crescimento anual foi de 4%, enquanto a média dos primeiros sete meses de 2026 apresentou alta de 5% em relação ao ano anterior.

Os resultados são associados ao processo de revitalização dos campos maduros, que continuam apresentando capacidade de produção mesmo após aproximadamente cinco décadas de exploração.

Empresas independentes ganham espaço

Outro movimento apontado pelo anuário é a mudança no perfil das empresas que operam os campos da Bacia de Campos.

Em 2010, cerca de 90% dos campos localizados na porção fluminense eram operados pela Petrobras. Em 2026, a participação da estatal caiu para pouco mais de 40%, enquanto quase 60% dos campos passaram a ser operados por quatro empresas independentes.

A entrada dessas companhias foi acompanhada por novos investimentos voltados à recuperação e ao aumento da produção de ativos considerados maduros.

Para o secretário executivo de Políticas Energéticas de Macaé, Rodrigo Vianna, a diversificação das operadoras pode ajudar a manter os investimentos na região e criar condições para a chegada de novos grupos ao mercado.

Royalties continuam importantes para a região

Apesar dos esforços de diversificação, petróleo e gás ainda representam uma parcela significativa das receitas públicas do estado e dos municípios produtores.

Em 2025, a atividade gerou R$ 30,2 bilhões em royalties e R$ 14,7 bilhões em participações especiais destinados ao estado do Rio e aos municípios.

No Norte Fluminense, a soma de royalties e participações especiais chegou perto de R$ 3 bilhões, com crescimento de 0,4% no ano. O resultado ocorreu mesmo diante da redução do preço médio do petróleo.

O Brent, referência internacional utilizada no levantamento, teve média de US$ 80,52 por barril em 2024 e caiu para US$ 69,14 em 2025.

Já no primeiro semestre de 2026, os municípios do Norte Fluminense haviam recebido o equivalente a 56% de tudo o que foi arrecadado durante 2025.

Macaé quer aproveitar novo ciclo de investimentos

Durante o lançamento do anuário, o prefeito Welberth Rezende destacou o momento positivo vivido pelo município e afirmou que a produção local deverá alcançar 400 mil barris neste ano.

Segundo ele, a Petrobras trabalha com uma projeção de chegar a 1 milhão de barris em cinco anos, sem contabilizar a produção das empresas independentes.

O prefeito também destacou dois projetos considerados estratégicos para a economia de Macaé: o Raia, com investimentos estimados em US$ 9 bilhões, e o programa Promar, voltado à revitalização de campos maduros, com previsão de investimentos de aproximadamente US$ 20 bilhões.

A intenção da administração municipal é aproveitar esse período de expansão para fortalecer atividades que não dependam diretamente da exploração de petróleo.

Turismo e agropecuária estão entre os setores apontados como alternativas para ampliar as fontes de receita e preparar Macaé para o futuro.

Fundo Soberano é uma das apostas

Outra iniciativa apresentada durante o evento foi a criação de um Fundo Soberano Municipal abastecido com recursos dos royalties.

A proposta foi aprovada em audiência pública relacionada ao Plano Diretor e prevê que, ao longo de 20 anos, o fundo acumule recursos equivalentes a duas vezes a receita corrente líquida aplicada.

A ideia é criar uma reserva financeira para as próximas gerações e reduzir os impactos de uma eventual queda futura na arrecadação proveniente do petróleo.

Além do fundo, Macaé trabalha com projetos envolvendo a ampliação do aeroporto, expansão de termelétricas, fortalecimento da produção agropecuária, desenvolvimento do turismo e implantação de uma fábrica de fertilizantes.

A expansão da Cidade Universitária e dos investimentos em educação superior e formação técnica também está entre as estratégias para acompanhar a transformação econômica do município.

Macaé prevê receita de R$ 5,1 bilhões em 2026

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Macaé, Silvio Mussi Lopes, apresentou durante o encontro dados sobre as finanças municipais.

A previsão orçamentária para 2026 é de R$ 5,1 bilhões. Segundo o secretário, cerca de 30% desse montante tem origem nos royalties, enquanto os outros 70% vêm principalmente de impostos e taxas.

Na avaliação de Silvio, essa composição demonstra que o município possui uma base de arrecadação mais diversificada e precisa transformar o crescimento econômico em melhorias sociais.

O secretário também destacou a importância histórica da Petrobras para Macaé. A instalação e expansão das operações da estatal ajudaram a transformar o município em uma das principais bases da indústria de petróleo e gás do país.

Norte Fluminense tem espaço na transição energética

O futuro energético da região também esteve no centro dos debates. Rodrigo Vianna participou da discussão ao lado de Carlos Augusto Pacheco, analista de pesquisa energética da EPE, em painel mediado por Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan.

Pacheco destacou a posição estratégica do Norte Fluminense na geopolítica da energia e apontou oportunidades relacionadas à reconfiguração de ativos e ao desenvolvimento de diferentes fontes energéticas.

Ele também ressaltou a posição brasileira na produção de biocombustíveis e defendeu uma transição energética que aproveite o potencial do país em petróleo e gás.

A avaliação é que a exploração dos recursos fósseis pode continuar gerando renda para financiar mudanças tecnológicas e energéticas, conciliando segurança energética, proteção ambiental e acesso à energia.

Karine Fragoso destacou que Macaé tem condições de ampliar sua atuação e deixar de ser conhecida apenas como uma cidade ligada ao petróleo. A expectativa é que o município se consolide como um polo de integração energética, reunindo atividades como geração eólica, termelétrica e produção de fertilizantes.

Infraestrutura e tecnologia são desafios

A necessidade de melhorar a infraestrutura regional também foi destacada durante o encontro.

João Carlos da Silva, representante da presidência da Firjan Norte Fluminense, afirmou que investimentos em infraestrutura são fundamentais para sustentar o crescimento da região.

Ele também apontou tecnologia e inovação como áreas que podem abrir novas oportunidades para Macaé, sem deixar de lado a importância econômica do setor de óleo e gás.

O lançamento do anuário reforçou, assim, um cenário em que a indústria petrolífera ainda possui espaço para crescer na Bacia de Campos, enquanto Macaé busca aproveitar esse momento para construir uma economia menos dependente de uma única fonte de receita.

A estratégia envolve atrair novos investimentos, estimular setores como turismo e agropecuária, ampliar a formação profissional e preparar o município para uma economia em que petróleo e gás continuem relevantes, mas dividam cada vez mais espaço com outras atividades.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Agropecuária#BaciaDeCampos#Economia#Energia#Firjan#Gas#Investimentos#Macae#MacaéRJ#NorteFluminense#Petrobras#Petroleo#RioDeJaneiro#Royalties#TransiçãoEnergética#Turismo
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