TSE amplia acessibilidade diante de recorde de eleitores com deficiência

Mais de 223 mil seções principais estão classificadas como acessíveis para as Eleições Gerais de 2026.

A participação de pessoas com deficiência, indígenas e integrantes de comunidades quilombolas ganhará maior dimensão nas Eleições Gerais de 2026. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral revelam um cadastro mais amplo e diversificado, acompanhado pela expansão das estruturas destinadas a tornar a votação mais acessível.

Neste ano, 1.963.551 pessoas que declararam algum tipo de deficiência estão aptas a comparecer às urnas. É o maior número já contabilizado pela Justiça Eleitoral e representa crescimento de 42,5% em relação às eleições de 2022, quando esse grupo reunia aproximadamente 1,37 milhão de eleitores.

Mais seções com acessibilidade

Para acompanhar o aumento da demanda, a Justiça Eleitoral ampliou o número de seções eleitorais principais classificadas como acessíveis.

O total passou de 156.296, em 2022, para 223.587 em 2026, avanço de 43%. Essas seções devem oferecer condições estruturais que facilitem o deslocamento e o atendimento de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Os tribunais regionais e as zonas eleitorais realizam vistorias periódicas nos locais de votação. Como grande parte das seções funciona em escolas e imóveis administrados por outras instituições, as condições estruturais podem sofrer alterações até o dia da eleição.

Recursos disponíveis nas urnas

As urnas eletrônicas possuem ferramentas destinadas a ampliar a autonomia e preservar o sigilo do voto. Entre os recursos estão sistema de áudio para pessoas com deficiência visual, teclado em braile, identificação tátil das teclas e compatibilidade com tecnologias assistivas.

O eleitor também pode informar previamente suas necessidades durante o atendimento eleitoral. Mesmo sem solicitação antecipada, eventuais dificuldades poderão ser comunicadas aos mesários no dia da votação para que sejam adotadas as providências possíveis.

Eleitorados indígena e quilombola crescem

O cadastro eleitoral também passou a apresentar maior participação de povos indígenas e comunidades quilombolas.

O número de eleitores autodeclarados indígenas avançou de 155.661, em 2024, para 287.157 em 2026. O crescimento foi de aproximadamente 84%, com maior concentração desse eleitorado na Região Norte.

Entre os quilombolas, o total passou de 95.409 para 188.371 eleitores no mesmo período. O aumento chegou a 97%, fazendo com que esse grupo praticamente dobrasse de tamanho no cadastro da Justiça Eleitoral.

Cadastro mais detalhado

O crescimento não significa necessariamente que houve aumento populacional dessas comunidades na mesma proporção. Parte da expansão está relacionada à atualização e à qualificação do cadastro eleitoral.

Informações sobre pertencimento indígena, quilombola, identidade de gênero, raça, língua falada e atuação como intérprete de Libras são autodeclaratórias. Esses campos começaram a ser coletados pela Justiça Eleitoral em novembro de 2022 e são atualizados quando o cidadão realiza uma nova operação relacionada ao título.

Com maior preenchimento dessas informações, o cadastro passa a retratar de maneira mais precisa a diversidade social e étnica do eleitorado brasileiro.

Desafio é garantir acesso efetivo

A ampliação dos registros aumenta a responsabilidade da Justiça Eleitoral de assegurar não apenas a existência de seções acessíveis, mas condições efetivas para que todos consigam chegar ao local, utilizar a urna e votar com autonomia.

O avanço dos números mostra maior participação de grupos historicamente submetidos a obstáculos físicos, sociais e territoriais. O próximo desafio será transformar essa presença crescente no cadastro em acesso pleno e seguro ao processo eleitoral.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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