Pandemia matou mais do que os números mostram

Doenças sem atendimento também elevaram a mortalidade.

O número de mortes relacionadas à pandemia de Covid-19 pode ter sido muito maior do que o registrado oficialmente. De acordo com um novo relatório da Organização Mundial da Saúde, o total de óbitos associados ao coronavírus pode chegar a ser até três vezes superior às estatísticas notificadas pelos países.

A diferença se explica não apenas pela subnotificação de mortes causadas diretamente pelo vírus, mas também pelos óbitos indiretos decorrentes da sobrecarga dos sistemas de saúde em todo o mundo.

Sobrecarga hospitalar agravou outras doenças

Durante os momentos mais críticos da pandemia, hospitais e unidades de saúde priorizaram o atendimento a pacientes com Covid-19. Com isso, pessoas com doenças crônicas como hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca e câncer tiveram consultas, exames e tratamentos adiados.

Segundo a OMS, muitos desses pacientes não conseguiram acesso a leitos, medicamentos ou acompanhamento adequado, o que contribuiu para o aumento da mortalidade.

Para cada morte registrada, houve outras duas associadas

O relatório aponta que, em 2021, no auge da circulação de variantes como a Delta, para cada morte oficialmente atribuída à Covid-19 houve aproximadamente duas mortes adicionais relacionadas direta ou indiretamente à pandemia.

Esse excesso de mortalidade inclui tanto casos não diagnosticados quanto consequências econômicas e sociais, como pobreza, interrupção de serviços e agravamento de condições médicas preexistentes.

Homens foram mais afetados

De acordo com o estudo, os homens representaram 57% das mortes globais relacionadas à pandemia. No período mais crítico, a mortalidade masculina chegou a ser 50% superior à feminina.

As Américas foram uma das regiões mais impactadas, especialmente pela queda na expectativa de vida.

Vacinação ajudou a reverter o cenário

A OMS destaca que a ampliação da vacinação foi fundamental para reduzir as mortes e permitir a recuperação gradual da expectativa de vida em diversos países.

Ainda assim, a entidade alerta que os números podem continuar subestimados, sobretudo em países de baixa renda com sistemas de notificação mais frágeis.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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