Copa impulsiona procura por plataforma que impede acesso às bets

Sistema federal recebeu mais de 250 mil pedidos de bloqueio ou prorrogação de restrições em duas semanas.

O crescimento das apostas esportivas e a forte exposição das casas de apostas durante a Copa do Mundo foram acompanhados por um movimento expressivo de brasileiros que decidiram limitar o próprio acesso às chamadas bets.

Entre os dias 15 e 28 de junho, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu 250.129 pedidos de bloqueio ou de prorrogação de restrições já existentes. O volume representa uma média de 17.866 solicitações por dia.

Antes do início da competição, entre 11 e 25 de maio, o sistema havia contabilizado 38.907 pedidos, o equivalente a uma média diária de 2.594 solicitações. A comparação indica aumento de aproximadamente 588%, fazendo com que o movimento registrado durante a Copa fosse quase sete vezes maior.

Os números foram levantados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Desde que a ferramenta entrou em funcionamento, no fim de 2025, o serviço ultrapassou a marca de 1 milhão de adesões.

A plataforma foi criada para oferecer uma barreira centralizada às pessoas que desejam se afastar das apostas. Ao registrar o CPF, o usuário solicita o bloqueio simultâneo das contas mantidas nas empresas autorizadas pelo governo federal.

O sistema também impede a abertura de novos cadastros com o mesmo documento e suspende o recebimento de publicidade direcionada das casas de apostas. As empresas são comunicadas automaticamente e têm até 72 horas para executar o bloqueio.

A restrição pode ser solicitada por períodos de um a 12 meses. Também existe a possibilidade de autoexclusão por tempo indeterminado, com duração mínima de 12 meses. Durante o prazo escolhido, a decisão não pode ser cancelada pelo usuário.

Como a solicitação é centralizada, a pessoa não precisa entrar separadamente em cada plataforma para pedir a suspensão. O mecanismo alcança todas as casas de apostas legalmente autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas.

Mudança nos motivos apresentados

O levantamento também identificou uma alteração nas justificativas informadas pelos usuários. Em maio, a perda de controle sobre o jogo era o principal motivo para a solicitação, citada em 43% dos registros.

Durante as duas primeiras semanas da Copa, a prevenção contra o uso dos dados pessoais em plataformas de apostas apareceu na primeira posição, com 29,5%. A perda de controle sobre o jogo ficou em segundo lugar, representando 24,13% dos pedidos.

A mudança indica que o aumento não pode ser atribuído exclusivamente à dependência em apostas. Parte dos usuários pode ter recorrido ao sistema de forma preventiva ou depois de conhecer melhor a ferramenta.

Em 16 de junho, o governo federal também iniciou o envio de mensagens para divulgar o serviço entre pessoas cadastradas no Sistema de Gestão de Apostas. A campanha coincidiu com o período de crescimento das solicitações e pode ter contribuído para ampliar o conhecimento sobre a plataforma.

Impactos financeiros e familiares

Embora parte dos bloqueios tenha caráter preventivo, a dependência em jogos permanece como uma preocupação de saúde pública. A facilidade de acesso pelo celular e a possibilidade de realizar apostas a qualquer hora podem favorecer comportamentos repetitivos e comprometer o orçamento familiar.

Em situações mais graves, o apostador passa a utilizar recursos destinados à alimentação, ao pagamento de contas ou a outras despesas essenciais. As perdas também podem provocar endividamento, conflitos familiares, sofrimento emocional e dificuldades profissionais.

A autoexclusão funciona como uma barreira de proteção, mas não substitui o acompanhamento especializado quando a pessoa já perdeu o controle sobre o jogo. A própria plataforma disponibiliza informações sobre saúde mental e indica unidades do Sistema Único de Saúde onde o usuário pode procurar atendimento.

Como solicitar o bloqueio

Para acessar o serviço, o cidadão precisa utilizar uma conta Gov.br de nível prata ou ouro. Depois da autenticação, deve escolher o período da restrição, informar o motivo — caso queira —, conferir os dados e confirmar a solicitação.

Após o processamento, o CPF fica impedido de acessar ou abrir contas nas plataformas autorizadas. A medida também reduz a exposição do usuário a campanhas publicitárias direcionadas, criando uma proteção adicional durante o período escolhido.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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