Chuvisco e doces tradicionais adoçam a Festa de São Salvador em Campos

Festival realizado há mais de 50 anos valoriza receitas de gema, nozes, castanhas e pistache.

Fé, cultura e gastronomia voltaram a ocupar o centro de Campos dos Goytacazes nesta quinta-feira, 6 de agosto, durante as comemorações pelo Dia do Santíssimo Salvador, padroeiro do município e da Diocese de Campos. O feriado municipal é marcado por celebrações religiosas, atividades culturais, atrações musicais e eventos esportivos.

Em 2026, a Festa do Santíssimo Salvador chegou à 374ª edição. A programação oficial foi realizada entre os dias 2 e 6 de agosto, com missas, procissão, momentos de espiritualidade e apresentações artísticas no Centro da cidade.

Entre os eventos mais aguardados está o tradicional Festival de Doces, realizado há mais de 50 anos, segundo informações apresentadas na reportagem. A iniciativa reúne receitas ligadas à formação histórica, econômica e cultural de Campos, município que consolidou parte de sua identidade em torno da produção de açúcar.

Mais do que um espaço de comercialização, o festival funciona como uma vitrine da memória gastronômica campista. As barracas oferecem receitas preservadas por famílias e profissionais da confeitaria, atraindo moradores e visitantes interessados em conhecer os sabores tradicionais da região.

Chuvisco simboliza a culinária campista

O chuvisco é uma das principais atrações do festival. Produzido à base de gemas de ovos, o doce pode ser servido em calda ou na versão cristalizada. Ao longo dos anos, também passou a ser utilizado na preparação de tortas, pudins e outras sobremesas.

A iguaria é reconhecida como uma das principais referências gastronômicas de Campos dos Goytacazes. A Prefeitura já destacou o chuvisco como uma espécie de patrimônio imaterial da cidade e como um produto associado à identidade cultural campista.

Além do chuvisco, o público encontra doces de gema, casadinhos de nozes e amêndoas, massas de pistache, preparações com castanhas e outras receitas finas. A variedade mostra como a tradição pode ser preservada sem impedir a criação de novas combinações e apresentações.

Doceiras mantêm conhecimento entre gerações

Uma das participantes do festival é a doceira Fátima Braga, que atua no evento há mais de três décadas. Durante todo o ano, ela produz doces finos, atende encomendas, oferece cursos de confeitaria e desenvolve sobremesas inspiradas nas receitas tradicionais de Campos.

Para Fátima, preservar esse patrimônio exige mais do que repetir fórmulas antigas. É necessário compartilhar técnicas, incentivar novas profissionais e transmitir o conhecimento para que os doces de gema e o chuvisco não desapareçam diante da padronização da confeitaria industrial.

A doceira defende que os conhecimentos acumulados ao longo da carreira não devem permanecer restritos a uma única família. Por isso, considera suas alunas parte da continuidade de seu trabalho e acredita que o ensino ajuda a formar novas gerações comprometidas com a cultura gastronômica local.

O relato evidencia o papel das doceiras na proteção de um patrimônio que não está apenas nos livros de receitas. Técnicas, medidas, pontos de cozimento e modos de apresentação são conhecimentos desenvolvidos pela experiência e transmitidos por meio da convivência.

Receitas carregam memória e afeto

Cada doce oferecido durante a festa também desperta lembranças de encontros familiares, aniversários, casamentos e celebrações religiosas. Essa relação afetiva ajuda a explicar por que o festival permanece entre os espaços mais procurados da programação.

A presença do Festival de Doces na Festa do Santíssimo Salvador está ligada à própria evolução das comemorações. Registros históricos da Diocese apontam que a celebração religiosa teve início em 1652 e, com o passar do tempo, incorporou atividades culturais, esportivas e gastronômicas. O festival aparece entre as manifestações tradicionais realizadas na praça durante os festejos.

A programação religiosa de 2026 contou com missas desde as primeiras horas do dia e foi encerrada com a tradicional procissão pelas ruas centrais. A celebração reforçou a relação entre a história da cidade, a devoção ao Santíssimo Salvador e as manifestações culturais desenvolvidas ao longo de quase quatro séculos.

Ao reunir fé, tradição e sabores, o Festival de Doces mantém viva uma parte importante da identidade de Campos dos Goytacazes. O evento valoriza o trabalho das doceiras e mostra que preservar uma receita também significa proteger histórias, vínculos familiares e conhecimentos construídos por diferentes gerações.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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