Brasil terá contraste entre calor intenso e chuva volumosa sob influência do El Niño

Previsões indicam máximas próximas de 40°C em áreas de Mato Grosso e chuva acima da média no Sul

A segunda metade de julho será marcada por fortes contrastes nas condições meteorológicas brasileiras. Enquanto áreas do Centro-Oeste e do Sudeste terão calor acima do esperado para o inverno, a Região Sul ficará mais exposta à ocorrência de chuvas volumosas, tempestades e episódios de granizo.

O cenário é influenciado pela combinação entre o fortalecimento do El Niño, a atuação de um bloqueio atmosférico sobre o centro do país e o transporte de calor e umidade por correntes de vento nas camadas mais baixas da atmosfera.

O Instituto Nacional de Meteorologia confirmou que o El Niño já apresenta um padrão característico no Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno deve permanecer ativo até pelo menos o início de 2027 e pode alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o verão.

Calor pode se aproximar de 40°C

A presença de uma massa de ar quente e seco deve favorecer temperaturas elevadas no Centro-Oeste durante o restante do mês. Áreas de Mato Grosso poderão registrar máximas entre 35°C e 40°C, enquanto Mato Grosso do Sul e Goiás também devem enfrentar tardes mais quentes que o habitual para julho.

No Sudeste, a tendência é de temperaturas acima da média em partes de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Na capital paulista, as máximas podem alcançar ou ultrapassar os 30°C em vários dias.

O bloqueio atmosférico dificulta o deslocamento das frentes frias para o centro do país. Com isso, o ar quente permanece concentrado por mais tempo sobre o Centro-Oeste e o Sudeste, limitando a chegada de massas de ar polar.

O aquecimento também pode ser intensificado quando ventos quentes descem serras e planaltos. Nesse processo, conhecido como compressão adiabática, o ar se aquece rapidamente à medida que perde altitude.

Jato transporta calor e umidade para o Sul

Um dos principais elementos do cenário é o chamado jato de baixos níveis, uma corrente de ventos que atua geralmente entre mil e dois mil metros de altitude.

Esse fluxo se forma na região da Bolívia e transporta calor e umidade das áreas tropicais em direção ao Sul do Brasil. Durante episódios de El Niño, esses ventos tendem a se fortalecer, aumentando a quantidade de umidade disponível para a formação de nuvens carregadas.

Ao alcançar a Região Sul, o ar quente e úmido encontra frentes frias, áreas de baixa pressão e massas de ar polar. O contraste entre essas diferentes condições favorece a formação de tempestades com chuva intensa, descargas elétricas, rajadas de vento e eventual queda de granizo.

O bloqueio atmosférico sobre o Centro-Oeste e o Sudeste também impede que os sistemas avancem rapidamente. Como consequência, a umidade e as instabilidades podem permanecer concentradas por mais tempo sobre os estados do Sul.

Temperaturas acima da média no Sul

Mesmo com a ocorrência de chuva, a Região Sul poderá registrar temperaturas elevadas durante parte da segunda quinzena de julho. Em alguns momentos, as marcas podem ficar entre 10°C e 15°C acima da média histórica.

A chegada das instabilidades tende a reduzir as temperaturas máximas, mas as mínimas ainda poderão permanecer elevadas, especialmente em noites com grande quantidade de nuvens.

A previsão climática oficial para o trimestre entre julho e setembro indica chuva acima da média em áreas do Sul e precipitação abaixo do esperado no centro-norte do Brasil. Também há alta probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do território nacional durante o segundo semestre.

Norte e interior do Nordeste terão menos chuva

A Região Norte atravessa o período de redução sazonal das chuvas, conhecido como verão amazônico. Apesar do predomínio de tempo mais seco, ainda podem ocorrer pancadas isoladas em áreas do Amazonas e de Roraima.

No interior do Nordeste, a previsão indica baixos volumes e distribuição irregular das precipitações. A situação é diferente no litoral, onde sistemas vindos do oceano podem provocar chuva mais persistente.

Áreas costeiras entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte devem receber atenção devido à possibilidade de acumulados elevados e transtornos localizados.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação dos ventos e modifica os padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, o fenômeno costuma favorecer o aumento das precipitações no Sul e a redução das chuvas em parte do Norte e do Nordeste. Os efeitos, no entanto, não ocorrem de maneira igual em todos os episódios e dependem da atuação de outros sistemas atmosféricos.

Como as previsões podem sofrer alterações, a recomendação é acompanhar diariamente os avisos meteorológicos emitidos pelos órgãos oficiais, especialmente em áreas com risco de tempestades, alagamentos, ventos fortes e granizo.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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