Baixada Campista enfrenta debate sobre água, saneamento e fiscalização

Entrevista levanta questionamentos sobre exploração do Aquífero de Emboré.

A situação ambiental da Baixada Campista voltou ao centro do debate político e ambiental no Norte Fluminense após denúncias envolvendo a exploração do Aquífero de Emboré, considerado um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do país. Durante entrevista ao programa Direto da Redação, o advogado Antônio Maurício Costa afirmou que a falta de fiscalização ambiental e possíveis irregularidades em concessões públicas colocam em risco o equilíbrio hídrico da região.

O tema ganhou força após mudanças promovidas pelo governador em exercício no comando do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), órgão responsável pelo licenciamento e fiscalização ambiental no estado do Rio de Janeiro. Segundo o entrevistado, o instituto teria permanecido inerte diante de problemas históricos relacionados à exploração de recursos naturais na Baixada Campista.

Entre os principais pontos levantados está a intensa captação de água do Aquífero de Emboré por empreendimentos ligados ao Porto do Açu e por concessionárias de saneamento. De acordo com Antônio Maurício Costa, dezenas de poços teriam sido perfurados para abastecimento industrial e operações privadas na região de São João da Barra.

O advogado citou ainda supostas irregularidades envolvendo licenças ambientais e autorizações concedidas durante gestões anteriores do INEA. Segundo ele, empresas privadas teriam obtido permissões para exploração hídrica em áreas estratégicas, levantando questionamentos sobre o impacto ambiental e a legalidade das concessões.

Outro ponto abordado durante a entrevista foi o possível avanço de projetos de alto consumo de água, como data centers planejados para o complexo portuário do Açu. A preocupação é de que o aumento da demanda acelere o esgotamento do aquífero e provoque efeitos ambientais ainda mais severos na região.

As denúncias também incluem críticas ao manejo das comportas da Lagoa Feia, apontado como um dos fatores que estariam agravando o desequilíbrio hídrico da Baixada Campista. Segundo relatos apresentados no programa, o escoamento da água para o mar em períodos de seca estaria comprometendo áreas de pecuária e afetando diretamente o lençol freático da região.

Durante a entrevista, Antônio Maurício Costa também levantou preocupações relacionadas ao saneamento em Campos dos Goytacazes. Ele afirmou que a proximidade entre o Cemitério do Caju e áreas de captação de água poderia representar risco potencial de contaminação do lençol freático. No entanto, até o momento, não foram apresentados laudos técnicos oficiais que comprovem contaminação da água distribuída à população.

A entrevista ainda abordou investigações envolvendo empresas do setor de saneamento, possíveis renúncias fiscais e disputas relacionadas às desapropriações na região do Porto do Açu. O advogado afirmou que a situação exige uma atuação mais rígida do poder público para impedir danos ambientais e garantir transparência nas concessões e licenciamentos.

Até o fechamento desta reportagem, o INEA, o Porto do Açu, a concessionária Águas do Paraíba e demais citados não haviam se pronunciado oficialmente sobre as declarações apresentadas durante a entrevista. O espaço segue aberto para manifestações.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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