A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre os riscos no consumo de suplementos alimentares sem orientação profissional. Na última semana, o órgão determinou a proibição e apreensão de diversas marcas após identificar falsificação, irregularidades na composição e propaganda enganosa.
Segundo a Anvisa, alguns produtos estavam sendo comercializados sem comprovação de segurança alimentar e prometiam benefícios que não possuem respaldo científico, como ganho acelerado de massa muscular e até controle de doenças como diabetes.
Embora sejam vendidos livremente em farmácias, lojas especializadas e na internet, suplementos alimentares não devem ser consumidos por conta própria. Especialistas reforçam que o uso precisa ser individualizado e orientado por nutricionista ou médico.
“A gente não faz recomendação generalizada para o uso de suplemento. Pelo contrário. É necessária uma avaliação individual do paciente. Nem todo mundo precisa, nem todo suplemento é indicado”, explica o nutricionista ouvido na reportagem.
Risco maior nas compras online
A internet tem se tornado um dos principais canais de venda desses produtos, muitas vezes com preços mais baixos. No entanto, o risco de adquirir itens falsificados ou sem procedência é elevado.
O empresário Renato Alves, que atua no ramo em Brasília, afirma que muitos clientes chegam influenciados por anúncios nas redes sociais. Segundo ele, o preço não pode ser o único critério de escolha.
“Na internet você pode até encontrar mais barato, mas nem sempre há garantia de procedência. O lojista autorizado trabalha com produto licenciado, original, com respaldo da marca”, destaca.
Ele ressalta que o atendimento responsável envolve uma análise cuidadosa do perfil do consumidor, incluindo possíveis comorbidades como diabetes, colesterol elevado ou hipertensão.
“Toda suplementação exige análise da lista de ingredientes e da tabela nutricional. É preciso verificar teor de açúcar, sódio, carboidratos e entender como está a alimentação, o sono e a imunidade da pessoa antes de indicar qualquer produto”, afirma.
Megadoses podem causar danos irreversíveis
Outro ponto de alerta é o uso indiscriminado de vitaminas, especialmente em megadoses. Ao contrário do que muitos acreditam, excesso de vitamina também pode ser prejudicial.
Vitaminas lipossolúveis — como A, D e E — podem se acumular no organismo e provocar toxicidade. A vitamina D, por exemplo, é frequentemente citada como uma das mais perigosas quando consumida em excesso.
“A toxicidade pode causar calcificação de tecidos moles, levando a problemas renais graves, necessidade de hemodiálise e até comprometimento do pulmão e do coração. São situações que podem ser irreversíveis”, alertam especialistas.
Diante das recentes proibições, a recomendação é clara: verificar sempre marca, lote, registro sanitário e buscar orientação profissional antes de iniciar qualquer suplementação. A saúde não pode ser tratada como tendência de internet.
Da Agência Fonte Exclusiva