Trabalhadores com deficiência ganham menos e têm menor ocupação, aponta IBGE

Dados do Censo 2022 mostram diferenças de rendimento e participação no mercado de trabalho entre pessoas com e sem deficiência.

Censo 2022 mostra que trabalhadores com deficiência recebem, em média, 70% do rendimento dos demais e têm menor nível de ocupação.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

Os trabalhadores com deficiência enfrentam uma diferença significativa tanto na renda quanto na participação no mercado de trabalho. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18), mostram que esse grupo recebia, em média, R$ 2.053 por mês.

Entre os trabalhadores sem deficiência, o rendimento médio chegava a R$ 2.890. Dessa forma, a renda média das pessoas com deficiência correspondia a cerca de 70% do valor registrado entre os demais trabalhadores.

Segundo o pesquisador do IBGE João Hallak Neto, a diferença de rendimento aparece nos diferentes grupos de atividades econômicas analisados.

Trabalhadores estão mais presentes em setores de menor renda

Além da diferença salarial, o IBGE identificou uma maior concentração de trabalhadores com deficiência em atividades que apresentam rendimentos médios menores.

Entre os setores citados estão os serviços domésticos, a agropecuária e as atividades de alojamento e alimentação.

Já administração pública, educação, saúde e serviços sociais aparecem entre os segmentos com maiores rendimentos médios.

Nessas áreas, trabalhadores com deficiência recebiam cerca de R$ 3.223, enquanto a média dos trabalhadores sem deficiência era de R$ 4.146. O valor representava aproximadamente 78% da renda registrada entre os trabalhadores sem deficiência.

Renda do trabalho tem peso diferente nos domicílios

A composição da renda familiar também apresenta diferenças. Nos domicílios onde havia pelo menos uma pessoa com deficiência, 55,7% do rendimento médio vinha do trabalho.

As demais fontes de renda respondiam por 44,3% do total.

Entre os domicílios sem pessoas com deficiência, a participação da renda proveniente do trabalho era maior, chegando a 78,4%. Outras fontes representavam 21,6%.

Menos de um terço das pessoas com deficiência estava ocupada

A diferença também é expressiva na participação no mercado de trabalho. Em 2022, o nível de ocupação entre pessoas com deficiência era de 29%, enquanto entre aquelas sem deficiência chegava a 55,8%.

Entre os 13,71 milhões de pessoas com deficiência em idade para trabalhar, 3,97 milhões estavam ocupadas.

O índice variava de acordo com o tipo de dificuldade. O menor nível foi registrado entre pessoas com dificuldades relacionadas às funções mentais, com 12,9%.

Também apresentaram índices baixos aqueles com dificuldade para caminhar ou subir degraus, com 17,2%, e para pegar objetos pequenos, com 17,7%. Entre as pessoas com mais de uma dificuldade, a ocupação chegava a 15,6%.

Por outro lado, a maior taxa foi registrada entre pessoas com dificuldade para enxergar, com 35,9%. Entre aquelas com dificuldade para ouvir, o índice era de 27,5%.

Ocupação varia conforme sexo e cor ou raça

Os indicadores também apresentam diferenças quando considerados sexo e cor ou raça.

Entre as pessoas com deficiência, o nível de ocupação era de 36% para homens pretos ou pardos e de 34,6% para homens brancos. Entre as mulheres, os percentuais eram de 25,6% para pretas ou pardas e 22,7% para brancas.

Nesse grupo, portanto, as taxas de ocupação de pessoas pretas ou pardas eram superiores às registradas entre pessoas brancas.

O cenário muda entre a população sem deficiência, na qual os trabalhadores brancos apresentavam maior nível de ocupação.

Os dados do Censo 2022 mostram que as diferenças enfrentadas pelas pessoas com deficiência no mercado de trabalho envolvem não apenas a possibilidade de estar empregadas, mas também o nível de renda e a distribuição desses trabalhadores entre diferentes setores da economia.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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