Trabalhadoras são acolhidas após denúncias de exploração e violência

Vítimas receberam atendimento psicológico e apoio social após ações de resgate.

Mulheres resgatadas em operações de fiscalização passam a receber acompanhamento especializado. 

📸Reprodução/MTE /Agência Gov

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizou, ao longo do mês de maio, duas operações em Santa Catarina que resultaram no resgate de mulheres submetidas a condições análogas à escravidão.

As ações aconteceram nos municípios de Benedito Novo e Florianópolis e envolveram forças de segurança, órgãos de proteção aos direitos humanos e equipes de assistência social.

No Vale do Itajaí, em Benedito Novo, uma mulher de 40 anos foi encontrada vivendo sob exploração doméstica dentro de uma propriedade rural. Segundo a fiscalização, ela era obrigada a realizar tarefas domésticas desde a infância, sem salário, autonomia financeira ou acesso a direitos básicos.

A operação contou com participação da Auditoria-Fiscal do Trabalho, Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública da União e profissionais das áreas social e psicológica.

Conforme os agentes, houve resistência dos familiares à entrada das equipes, além de ameaças contra os servidores públicos durante a abordagem.

De acordo com os relatos coletados no local, a vítima vivia isolada socialmente, submetida a jornadas exaustivas e em ambiente degradante. A fiscalização apontou ainda sinais de vulnerabilidade emocional e forte dependência familiar.

Durante a ação, os órgãos também identificaram irregularidades em uma serraria existente na propriedade. Trabalhadores atuavam sem registro formal e expostos a riscos de acidentes, utilizando máquinas sem proteção adequada e sem equipamentos de segurança.

Já em Florianópolis, outra operação identificou uma trabalhadora doméstica etíope, de 34 anos, em situação semelhante. A mulher havia sido trazida ao Brasil após contratação intermediada por uma empresa estrangeira nos Emirados Árabes Unidos.

Segundo a investigação, ela trabalhava diariamente por mais de 15 horas, acumulando funções domésticas, cuidados com crianças e animais da residência. A fiscalização também apurou denúncias de violência psicológica, retenção de documentos e restrição de liberdade.

A vítima relatou que sofria ameaças constantes, agressões verbais e pressão emocional dentro da residência localizada em um condomínio no bairro Rio Tavares. Temendo pela própria segurança, ela fugiu durante a madrugada levando apenas o celular e as roupas que vestia.

Após conseguir ajuda nas ruas com auxílio de aplicativos de tradução, a mulher foi acolhida pela rede pública de proteção social, que acionou o Ministério do Trabalho para atendimento especializado.

Nos dois casos, as trabalhadoras receberam assistência médica, apoio psicológico e acompanhamento social. Os órgãos envolvidos informaram que as investigações seguem em andamento para responsabilização dos envolvidos.

O Ministério do Trabalho reforçou que o trabalho análogo à escravidão não se resume apenas ao cárcere físico, podendo incluir jornadas abusivas, condições degradantes, retenção de documentos, ameaças e mecanismos de controle que retirem a autonomia das vítimas.

As denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do Sistema Ipê, plataforma nacional voltada ao combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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