Sarampo volta a preocupar o Brasil; entenda o papel da baixa vacinação

Alta capacidade de transmissão permite que poucos casos se espalhem rapidamente entre pessoas sem proteção

Mesmo livre da circulação endêmica, o Brasil ainda pode registrar surtos de sarampo.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

O registro de novos casos de sarampo em 2026 acendeu um alerta no Brasil, especialmente no estado de São Paulo. A situação pode causar estranhamento porque o país recuperou, em novembro de 2024, o certificado de eliminação da circulação endêmica da doença.

Eliminação, porém, não significa erradicação. Uma doença é considerada eliminada quando deixa de circular continuamente em determinado território. O vírus ainda existe em outros países e pode ser trazido por viajantes, iniciando novas cadeias de transmissão ao encontrar pessoas sem proteção.

Até o fim de julho, o Ministério da Saúde havia confirmado 14 casos de sarampo no Brasil em 2026. Três registros identificados no início do ano foram encerrados, sem risco atual de transmissão. Outros 11 formavam um surto ativo em São Paulo, sendo nove na capital e dois em São Bernardo do Campo. A origem da infecção ainda estava sendo investigada.

Diante do cenário, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação em municípios paulistas. Entre as medidas adotadas está a aplicação da chamada dose zero em bebês de 6 a 11 meses que vivem ou circulam pelas áreas de maior risco. Essa dose adicional não substitui as vacinas previstas aos 12 e aos 15 meses.

Por que o sarampo volta?

O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas. Por isso, mesmo um número pequeno de pessoas desprotegidas pode permitir que o vírus se espalhe rapidamente.

Para interromper a transmissão, é necessário manter cobertura de pelo menos 95% com as duas doses da vacina em todas as comunidades. A média nacional, sozinha, não garante proteção quando existem municípios, bairros ou grupos com índices inferiores.

O Brasil avançou na primeira dose da tríplice viral e alcançou cobertura de 95,8% em 2024. A segunda dose, contudo, ficou em 80,43%, abaixo da meta necessária para evitar surtos.

Essas diferenças criam bolsões de pessoas suscetíveis. Quando alguém infectado entra em contato com esses grupos, o vírus pode voltar a circular mesmo em um país que mantém o certificado de eliminação.

A queda ou a irregularidade da vacinação está relacionada a diferentes fatores. Entre eles estão a falsa sensação de que o sarampo deixou de representar perigo, a disseminação de informações falsas sobre vacinas, dificuldades para chegar aos postos e o atraso acumulado no calendário durante a pandemia de covid-19.

Casos não significam perda imediata do certificado

A confirmação de casos isolados ou de um surto localizado não retira automaticamente o certificado brasileiro. Para perder novamente a condição de país livre do sarampo endêmico, seria necessário comprovar a manutenção da mesma cadeia de transmissão durante pelo menos 12 meses.

O Brasil recebeu a primeira certificação em 2016, mas perdeu o reconhecimento após o retorno da circulação contínua do vírus a partir de 2018. O certificado foi recuperado em novembro de 2024, depois da interrupção das cadeias endêmicas.

Quais são os riscos?

O sarampo é transmitido pelo ar quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira. Os sintomas iniciais costumam incluir febre alta, tosse, coriza, irritação nos olhos e manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.

Embora muitas pessoas se recuperem, a doença pode causar pneumonia, inflamação no cérebro, infecções nos ouvidos, perda de visão e morte. O risco de complicações é maior entre crianças pequenas, gestantes, pessoas desnutridas e pacientes com o sistema imunológico comprometido.

Como se proteger?

A principal forma de prevenção é a vacinação. A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola, enquanto a tetraviral também inclui proteção contra a varicela.

No calendário infantil, a primeira dose é aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas de até 29 anos devem ter duas doses registradas. Entre 30 e 59 anos, a recomendação geral é de uma dose, conforme a situação vacinal e as orientações do serviço de saúde.

Quem não sabe se está protegido deve procurar uma unidade do SUS com a caderneta de vacinação. A equipe poderá avaliar o histórico e aplicar as doses necessárias.

Pessoas com febre, manchas vermelhas, tosse, coriza ou olhos irritados devem evitar contato próximo com outras pessoas e procurar orientação de saúde. É recomendável avisar previamente a unidade sobre a suspeita para reduzir o risco de transmissão na sala de espera.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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