Receita Federal equipara fintechs a bancos no combate à lavagem de dinheiro

Nova instrução normativa reforça fiscalização após operações contra crime organizado que movimentou R$ 140 bilhões

Receita Federal publica norma que obriga fintechs a seguirem as mesmas regras dos bancos no combate à lavagem de dinheiro, após operações que revelaram movimentação ilícita de R$ 140 bilhões.

(Divulgação)

A Receita Federal publicou, nesta sexta-feira (29), no Diário Oficial da União (DOU), uma instrução normativa que determina que fintechs passem a cumprir as mesmas obrigações de bancos tradicionais em relação ao fornecimento de informações financeiras para o combate a crimes, como lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

A medida foi anunciada um dia após operações policiais que desarticularam esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado. Foram cumpridos mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 prisões e centenas de buscas e apreensões em ao menos oito estados. De acordo com as investigações, os grupos criminosos movimentaram de forma ilícita cerca de R$ 140 bilhões.

Mais transparência e fiscalização

O texto da normativa estabelece que instituições de pagamento e participantes de arranjos de pagamento — como as fintechs — ficam sujeitos às mesmas regras de transparência do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Isso inclui a entrega do documento e-Financeira, que reúne informações sobre movimentações de alto valor.

A instrução é assinada pelo secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, e prevê que indícios de crimes identificados sejam comunicados às autoridades competentes.

Vácuo regulatório e fake news do Pix

Em nota divulgada na noite de quinta-feira (28), a Receita destacou que fintechs vinham sendo usadas para a lavagem de dinheiro, devido a um “vácuo regulatório” que as isentava de obrigações já aplicadas há mais de 20 anos às instituições financeiras.

O órgão lembrou que, no ano passado, havia sido publicada uma normativa semelhante para valer em janeiro de 2025, mas a medida acabou revogada após campanha de desinformação envolvendo supostas restrições ao uso do Pix.

Com a nova regra, o governo busca fechar brechas exploradas pelo crime organizado e fortalecer a integração entre órgãos de controle e investigação.

Da Agência Fonte Exclusiva.

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