Plantas consideradas extintas são reencontradas após 30 anos em Minas Gerais

Espécies raras foram localizadas no Quadrilátero Ferrífero durante projeto voltado à conservação da biodiversidade.

Pesquisadores reencontram em Minas Gerais duas espécies de plantas sem registros há cerca de 30 anos e consideradas potencialmente extintas.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

Uma expedição científica no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, resultou no reencontro de duas espécies de plantas que não eram registradas havia aproximadamente três décadas.

A ausência prolongada de observações fez com que os exemplares fossem considerados potencialmente extintos.

As espécies Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena foram encontradas em uma área preservada mantida pela Vale na região centro-sul do estado.

A descoberta ocorreu durante as atividades do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, que reúne pesquisadores de universidades, instituições científicas e integrantes da Rede Propagar.

Plantas são endêmicas de Minas Gerais

O reencontro tem importância adicional porque as duas espécies são endêmicas do Quadrilátero Ferrífero. Isso significa que elas ocorrem naturalmente apenas nessa região e não são encontradas, em condições naturais, em outras partes do mundo.

Segundo os pesquisadores envolvidos no trabalho, aproximadamente 30% das espécies registradas no Quadrilátero Ferrífero são endêmicas.

As plantas também fazem parte do grupo conhecido como sempre-vivas. O nome está associado à capacidade de suas flores manterem características semelhantes às de flores vivas mesmo depois de períodos de seca.

Outra característica observada pelos especialistas é a resistência a situações de estresse térmico, aspecto relacionado à adaptação das espécies às condições ambientais da região.

Pesquisa já dura cerca de uma década

O trabalho de campo realizado no Quadrilátero Ferrífero vem sendo desenvolvido há pelo menos dez anos.

Durante esse período, pesquisadores localizaram outras espécies que também estavam há décadas sem registros científicos. Em alguns casos, os exemplares reencontrados não eram observados havia mais de um século.

Os levantamentos contribuem para ampliar o conhecimento sobre a flora rara e ameaçada de Minas Gerais, além de permitir uma avaliação mais detalhada sobre a distribuição e as características das populações encontradas.

Amostras passam por diferentes análises

Depois que uma população é localizada, os pesquisadores coletam materiais vegetais, como folhas, flores e frutos, destinados a diferentes estudos.

Parte das amostras é utilizada em análises genéticas e genômicas. Outros materiais são empregados em pesquisas sobre a propagação das plantas.

O projeto envolve diferentes etapas, desde a busca e identificação dos exemplares no ambiente natural até estudos taxonômicos, análises de sementes e técnicas de reprodução.

A comparação entre indivíduos encontrados em diferentes ambientes também pode ajudar os pesquisadores a compreender quais condições favorecem o desenvolvimento das espécies.

Descoberta pode contribuir para conservação

O reencontro das plantas fornece novas informações sobre espécies que permaneciam sem registros recentes e cuja situação de conservação ainda precisa ser melhor compreendida.

Conhecer os locais onde elas ocorrem, os tipos de substrato utilizados, as formas de reprodução e as características das populações pode auxiliar na elaboração de medidas específicas de proteção.

Os dados também podem ser úteis para futuras iniciativas de propagação e eventual reintrodução das espécies. Para isso, é necessário identificar as condições ambientais indispensáveis ao desenvolvimento das plantas.

Um dos desafios está justamente em reproduzir essas características fora do ambiente natural, o que exige conhecimento sobre solo, clima, disponibilidade de água e processos reprodutivos.

Preservação dos habitats é essencial

Para os pesquisadores, localizar uma espécie considerada desaparecida não encerra o trabalho de conservação. O passo seguinte envolve compreender suas necessidades e garantir que as populações encontradas tenham condições de permanecer na natureza.

Essa preocupação é especialmente relevante para espécies endêmicas, cuja distribuição geográfica é naturalmente limitada. Mudanças no ambiente podem representar impactos significativos sobre populações restritas a determinadas áreas.

O levantamento realizado no Quadrilátero Ferrífero mostra como pesquisas de campo podem contribuir para revelar espécies que permanecem pouco conhecidas e fornecer informações importantes para sua proteção.

O reencontro de Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena, após cerca de 30 anos sem registros, amplia o conhecimento científico sobre a biodiversidade da região e abre novas possibilidades de estudo sobre a conservação dessas plantas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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