PF apura suspeita de monitoramento clandestino contra adversário do Banco Master

Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e a homem conhecido como “Sicário” mencionariam vigilância, acesso a e-mails e interferência em redes sociais.

Polícia Federal investiga possível estrutura clandestina ligada ao Banco Master para monitorar e intimidar adversários da instituição.

Imagem: Reprodução/ Polícia Militar de Minas Gerais

A possível utilização de vigilância, invasão de informações digitais e acesso indevido a investigações sigilosas passou a integrar as apurações envolvendo o Banco Master.

A Polícia Federal analisa mensagens que indicariam a existência de uma estrutura destinada a acompanhar e intimidar pessoas consideradas adversárias dos interesses da instituição.

Entre os alvos mencionados está o empresário Vladimir Timerman, gestor da Esh Capital e acionista da Gafisa. Ele havia apresentado denúncias sobre supostas irregularidades em operações de fundos relacionados ao Banco Master e ao empresário Nelson Tanure.

Conversas mencionariam acompanhamento permanente

As mensagens investigadas são atribuídas a Daniel Vorcaro e a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.

Em uma das conversas, ocorrida em dezembro de 2023, Sicário teria afirmado que Timerman estava sendo monitorado durante 24 horas.

O conteúdo também faria referência à tentativa de obter informações capazes de permitir o acesso a contas de e-mail do empresário.

Outra possibilidade mencionada seria a interferência em perfis mantidos por Timerman nas redes sociais.

Providência urgente teria sido discutida

De acordo com o material analisado, Vorcaro e Sicário teriam conversado sobre a necessidade de adotar uma providência rápida contra o gestor da Esh Capital.

A investigação deverá esclarecer o significado das mensagens, quais ações teriam sido planejadas e se alguma delas chegou a ser executada.

Também será necessário identificar quem participava do suposto monitoramento e quais recursos teriam sido utilizados para acompanhar o empresário.

PF analisa possível estrutura clandestina

A Polícia Federal trabalha para verificar se existia um grupo organizado para coletar informações de maneira ilegal, constranger denunciantes e acompanhar pessoas que contrariavam os interesses do Banco Master.

A suspeita envolve atividades como vigilância, obtenção clandestina de dados e intimidação.

Os investigadores deverão analisar as mensagens em conjunto com documentos, registros eletrônicos e outros elementos reunidos durante as diferentes fases da apuração.

A existência das conversas, isoladamente, não permite concluir que todos os atos mencionados foram efetivamente realizados.

Acesso a investigações sigilosas está sob apuração

Outro ponto investigado é a possível obtenção irregular de informações relacionadas a procedimentos policiais protegidos por sigilo.

Segundo a apuração, Vorcaro e Sicário teriam conseguido acessar conteúdos que não deveriam estar disponíveis fora dos órgãos responsáveis.

A Polícia Federal deverá verificar como esses dados teriam sido obtidos, quem poderia ter facilitado o acesso e de que maneira as informações foram utilizadas.

Caso a hipótese seja comprovada, a investigação também precisará identificar todos os participantes e definir a responsabilidade de cada envolvido.

Denúncias envolveram operações financeiras

Timerman passou a ser considerado adversário do Banco Master depois de denunciar supostas irregularidades em operações envolvendo fundos ligados à instituição e a Nelson Tanure.

A investigação busca esclarecer se o possível monitoramento começou como reação às denúncias apresentadas pelo empresário.

Também será analisado se as medidas discutidas tinham o objetivo de impedir novas acusações, desacreditar o gestor ou obter informações que pudessem ser usadas contra ele.

Caso tramita no Supremo

O material faz parte das investigações sobre suspeitas de fraudes bilionárias relacionadas ao Banco Master.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal e está sob a relatoria do ministro André Mendonça. A investigação conduzida pela Polícia Federal apura diferentes núcleos e possíveis formas de atuação do grupo ligado à instituição.

As mensagens atribuídas aos envolvidos ainda deverão ser submetidas a análise técnica e confrontadas com outras provas.

Suspeitas ainda dependem de comprovação

Os elementos reunidos pela Polícia Federal representam hipóteses investigativas e não equivalem a uma condenação.

A apuração deverá determinar se houve efetivamente monitoramento permanente, tentativa de acesso a e-mails, interferência em redes sociais ou uso indevido de informações sigilosas.

Também caberá aos investigadores verificar se existia uma estrutura organizada para intimidar adversários e proteger os interesses do Banco Master.

Até a conclusão das diligências e a análise do conjunto probatório, os envolvidos permanecem sob investigação e possuem direito à defesa e à presunção de inocência.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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