A Polícia Federal investiga o perfil de uma jovem pernambucana que ganhou notoriedade pelo número de aprovações em concursos públicos de alta complexidade, mas que agora é apontada como possível participante de um esquema de fraudes no Concurso Nacional Unificado (CNU).
A candidata se apresentava como “campeã de concursos”, com aprovações em medicina e direito em universidades federais, além de ter conquistado vaga como assistente administrativo em uma instituição federal de ensino. Em 2024, foi declarada aprovada para auditoria fiscal do trabalho, cargo de alta concorrência.
O histórico chamou atenção por ser estatisticamente improvável, segundo especialistas consultados. O alerta definitivo surgiu quando a PF descobriu que seu gabarito no CNU era idêntico ao de Wanderlan Limeira de Sousa, ex-policial militar apontado como líder da organização criminosa que comercializava resultados.
A investigação encontrou ainda arquivos digitais da candidata com menções a concursos disputados por Wanderlan, como a carreira administrativa do Banco do Brasil, sugerindo conhecimento prévio das ações do grupo. Para a PF, os indícios apontam que a jovem possa ser uma das “clientes” da quadrilha, pagando para garantir aprovações em diferentes processos seletivos.
Os investigadores buscam agora rastrear possíveis transações financeiras entre a candidata e membros do esquema, além de verificar se suas conquistas em concursos anteriores também foram resultado de fraude. Outros perfis semelhantes estão sob análise: candidatos com aprovações múltiplas em carreiras distintas e cujos gabaritos coincidem com os de suspeitos já identificados.
O caso reforça a dimensão do escândalo envolvendo o CNU, considerado o maior processo seletivo do país, e coloca em xeque a credibilidade de aprovações aparentemente exemplares.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
