Perícia em Brasília tentará identificar “remanescentes humanos” encontrados no AM

O avião com os “remanescentes humanos” encontrados no Amazonas deve chegar nesta quinta-feira (16) a Brasília. A Polícia Federal espera pelos restos mortais para iniciar o processo de identificação.

Os restos mortais foram encontrados na mesma região em que o jornalista inglês Dom Philips e o indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira desaparecem, no Vale do Javari.

Os corpos estavam a 3,1 quilômetros do local onde os suspeitos pelo desaparecimento relataram ter ocorrido o crime, mata adentro. O ministro da Justiça, Anderson Torres, confirmou à CNN na quarta-feira (15) que foram encontrados “remanescentes humanos”.

Até o momento, dois suspeitos foram detidos pela polícia. Oseney da Costa de Oliveira teve a prisão temporária de 30 dias decretada na quarta-feira (13). Já Amarildo Oliveira da Costa, também está em prisão temporária de 30 dias, confessou ter participado do assassinato da dupla e apontou o local em que havia enterrado os corpos.

Aos policiais federais, Amarildo afirmou, no entanto, que uma terceira pessoa também estaria envolvida nas mortes de Pereira e Phillips. A PF busca por este indivíduo.

Amarildo ainda confirmou aos agentes que os corpos foram esquartejados e incinerados.

Mapa: Murillo Ferrari, da CNN Brasil Fonte: Polícia Federal Criado com Datawrapper

Questionado sobre a motivação do crime e, segundo fontes da PF disseram à CNN, ele admitiu que Pereira e Phillips foram assassinados por conta de denúncias sobre pesca ilegal na região.

A mulher de Dom Philips, Alessandra Sampaio, declarou que “embora ainda estejamos aguardando as confirmações definitivas, este desfecho trágico põe um fim à angústia de não saber o paradeiro de Dom e Bruno. Agora podemos levá-los para casa e nos despedir com amor”.

A CNN elaborou uma linha do tempo que mostra o passo a passo da investigação, desde a comunicação do desaparecimento. Veja:

31/05 – O indigenista Bruno Araújo Pereira envia mensagem à União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja) relatando risco de morte. Bruno atuava denunciando pesca ilegal no Vale do Javari;

05/06 – Bruno e Dom Phillips desaparecem no Vale do Javari. Rapidamente a Univaja entra em contato com a polícia para comunicar o caso. De acordo com informações da Univaja, os dois chegaram no Lago do Jaburu no dia 3 de junho para visitar a equipe de Vigilância Indígena. No dia 5, Pereira e Phillips deixaram o lago e partiram para a comunidade São Rafael, onde o indigenista participaria de uma reunião. Pelo que consta nas informações trocadas via Dispositivo de Comunicação Satelital SPOT, eles chegaram ao destino por volta de 6h. Após conversarem com uma pessoa local, ambos recomeçaram o trajeto de retorno à Atalaia do Norte e não foram mais vistos;

07/06 – A Polícia Federal dá início às buscas por Bruno e Dom. No mesmo dia, a Polícia Civil do Amazonas prende Amarildo, o “Pelado”, por posse de drogas e munição. Amarildo havia sido apontado por testemunhas como tendo sido visto perto de Bruno e Dom e ameaçado ambos. Para a polícia, Amarildo disse ser pescador;

09/06 – A Polícia Federal encontra lancha de Amarildo com vestígio de sangue;

Dom Phillips e Bruno Péreira: suspeito confessa crime (Divulgação)

11/06 – Uma testemunha aponta a participação de Oseney da Costa, o “Dos Santos”, no caso. Ele é descrito como um parente de Amarildo; que teria pedido uma carona à testemunha e estaria armado com uma espingarda. Oseney encontra Amarildo e eles saem juntos;

12/06 – Durante buscas, polícia encontra objetos de Bruno e Dom. Os pertences (mochila, crachá, botas) foram encontrados perto da casa de Amarildo e Oseney. A polícia desce o rio e vê uma área de mata defasado, como se alguém tivesse cruzado com uma lancha de maneira desgovernada, há dois minutos da casa de Oseney. Nesta imediação, a polícia encontra os objetos pessoais dos desaparecidos;

14/06 – “Dos Santos” é preso por relação com sumiço de Bruno e Dom;

15/06 – Amarildo confessa que enterrou Bruno e Dom, polícia busca os corpos. As informações da Polícia Federal foram apuradas pelo âncora da CNN Kenzô Machida.

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