O ouro e a prata registraram fortes quedas nesta quinta-feira (19), em meio à combinação de dois fatores que vêm pressionando os mercados globais: a disparada do petróleo, impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, e a sinalização mais rígida do Federal Reserve sobre a política de juros.
O ouro à vista chegou a cair mais de 6%, atingindo US$ 4.575 por onça — o menor nível desde o início de fevereiro. A prata recuou ainda mais, com queda próxima de 12%, sendo negociada abaixo de US$ 66 por onça. No caso do ouro, foi a sétima sessão consecutiva de perdas, a sequência negativa mais longa desde 2023.
O movimento surpreende porque, em cenários de instabilidade geopolítica, metais preciosos costumam ser buscados como ativos de proteção. Desta vez, porém, a dinâmica foi diferente.
A mudança de direção veio após a decisão do Federal Reserve de manter os juros entre 3,5% e 3,75%, acompanhada de um discurso mais duro do presidente Jerome Powell. A autoridade monetária indicou menor probabilidade de cortes nos próximos anos, elevando também suas projeções de inflação.
Segundo o Fed, a inflação em 2026 pode chegar a 2,7%, acima das estimativas anteriores, refletindo o impacto do aumento dos custos de energia e das tensões no cenário internacional. Powell afirmou que os efeitos econômicos do conflito ainda são incertos e que eventuais cortes de juros dependerão de sinais concretos de desaceleração inflacionária.
Esse cenário tem efeito direto sobre o comportamento dos investidores. Com a perspectiva de juros mais altos por mais tempo, ativos que não rendem juros, como o ouro, tendem a perder atratividade.
Ao mesmo tempo, a escalada do petróleo reforça as preocupações com inflação global. O barril do tipo Brent chegou a ultrapassar US$ 119 durante o dia, pressionando custos de energia e cadeias produtivas.
Esse conjunto de fatores enfraqueceu o papel tradicional do ouro como porto seguro. Analistas avaliam que o metal passou a ser tratado mais como ativo especulativo no curto prazo, diante da mudança nas expectativas macroeconômicas.
A queda também atingiu empresas do setor. A mineradora Newmont recuou mais de 6%, enquanto a Freeport-McMoRan caiu cerca de 6%, refletindo tanto a desvalorização dos metais quanto o aumento dos custos operacionais, especialmente com energia.
Apesar da forte correção recente, o ouro ainda acumula alta significativa em relação ao ano anterior, o que indica que o movimento atual pode estar mais ligado a ajustes de mercado do que a uma reversão estrutural.
O cenário, no entanto, segue incerto e diretamente atrelado à evolução do conflito no Oriente Médio e às decisões futuras de política monetária nos Estados Unidos.
*Da Agência Fonte Exclusiva
