Operação mira PMs suspeitos de vender armas para o Terceiro Comando Puro

Investigação aponta comércio de fuzis, vazamento de informações sigilosas e movimentação superior a R$ 250 milhões.

PF e MPRJ realizam operação contra policiais e ex-PMs suspeitos de fornecer armas ao Terceiro Comando Puro e lavar mais de R$ 250 milhões.

Imagem: Reprodução/ Polícia Federal/divulgação

Uma rede suspeita de abastecer o tráfico com armamento pesado e informações reservadas da área de segurança pública entrou na mira de uma operação realizada nesta quarta-feira (7) no Rio de Janeiro.

A ação, denominada Magen, reúne Polícia Federal e Ministério Público do Estado do Rio e tem como alvos policiais e ex-policiais militares investigados por suposta ligação com o Terceiro Comando Puro.

A facção atua em comunidades da Zona Norte da capital, incluindo áreas conhecidas como Complexo de Israel.

Fuzis e munições estariam entre os negócios

De acordo com a investigação, integrantes do grupo negociavam fuzis, munições e outros materiais destinados a criminosos.

Os suspeitos também teriam utilizado o acesso de agentes e ex-agentes de segurança para repassar informações sigilosas.

A apuração busca esclarecer até que ponto esses dados teriam ajudado integrantes da facção a escapar de operações policiais ou organizar atividades criminosas.

Mais de R$ 250 milhões passaram pelo esquema

Os investigadores identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 250 milhões ao longo de aproximadamente quatro anos.

Parte dos recursos teria circulado por contas de pessoas físicas e por cinco empresas.

Os negócios atuavam em segmentos como alimentação, comércio de materiais, construção civil e reformas.

A suspeita é de que essas empresas tenham servido para movimentar e ocultar dinheiro proveniente de atividades criminosas, incluindo o comércio clandestino de armas.

Justiça bloqueou valores, imóveis e veículos

Como parte da operação, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 250 milhões relacionados aos investigados.

Também foi autorizado o sequestro de três imóveis e 31 veículos.

As medidas patrimoniais buscam impedir a transferência ou ocultação de bens enquanto o caso segue em análise.

Cinco pessoas foram presas

No primeiro balanço da operação, cinco investigados haviam sido presos.

Entre eles estão um policial militar da ativa, três ex-integrantes da corporação e um ex-servidor comissionado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Durante o cumprimento dos mandados, agentes também localizaram fuzis, uma pistola e carregadores.

Peixão está entre os alvos

Um dos investigados é Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão.

Ele é apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do tráfico de drogas no Complexo de Israel.

Até o último balanço divulgado, Peixão permanecia foragido. Outro alvo da operação também não havia sido localizado.

Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.

Operação alcança capital e Baixada Fluminense

As diligências foram realizadas em quatro bairros da cidade do Rio e em diferentes municípios do estado.

As equipes também atuaram em Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica.

A distribuição dos alvos por diferentes cidades faz parte da tentativa de reconstruir a estrutura financeira e logística utilizada pelo grupo.

Dez pessoas foram denunciadas

O Ministério Público apresentou denúncia contra dez investigados.

Os crimes atribuídos variam conforme a participação apontada para cada suspeito.

Entre as acusações estão organização criminosa armada, comércio ilegal de armas e munições, violação de sigilo funcional, agiotagem e lavagem de dinheiro.

MPRJ também pede restrições contra investigados

Além das prisões e medidas patrimoniais, o Ministério Público solicitou a retenção dos passaportes de investigados com prisão preventiva decretada.

O órgão também pediu que os mandados sejam inseridos em sistemas internacionais de procura por meio da Polícia Federal e da Interpol.

A medida busca dificultar eventual tentativa de fuga para outros países.

Investigação continua

A operação desta quarta-feira não encerra as apurações.

Polícia Federal e Ministério Público ainda trabalham para identificar a origem das armas, os compradores, o destino dos recursos e possíveis outros participantes do esquema.

A investigação também deverá aprofundar a análise das empresas e das movimentações bancárias identificadas ao longo dos últimos anos.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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