Negros continuam sendo maioria das vítimas de assassinato no país, revela estudo

Dados do Atlas da Violência reforçam alerta sobre impacto social da desigualdade racial.

Atlas da Violência mostra que população negra permanece como principal vítima de homicídios no Brasil.

📸Reprodução/Tomaz Silva/AgênciaBrasil

A violência letal contra a população negra continua sendo um dos principais desafios sociais e de segurança pública no Brasil.

Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que pessoas negras foram as maiores vítimas de homicídios no país ao longo de 2024, refletindo desigualdades históricas e sociais ainda presentes na sociedade brasileira.

O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o estudo, 32.820 pessoas negras foram assassinadas em 2024, número que representa 77% de todos os homicídios registrados no país no período. A taxa corresponde a 27,3 mortes para cada 100 mil pessoas negras, o equivalente a quase 90 vítimas por dia.

Entre a população não negra — grupo formado por pessoas brancas, amarelas e indígenas — foram registrados 9.234 homicídios no mesmo período, com taxa de 10,1 mortes por 100 mil habitantes.

O Atlas aponta que a probabilidade de uma pessoa negra ser vítima de homicídio no Brasil é 2,7 vezes maior do que a de uma pessoa não negra. Em alguns estados, essa diferença é ainda mais acentuada.

Em Alagoas, por exemplo, o risco relativo chega a ser 23 vezes maior. Já no Amapá e em Sergipe, os índices também aparecem entre os mais elevados do país.

Na comparação histórica entre 2014 e 2024, o Brasil registrou mais de 435 mil homicídios de pessoas negras, enquanto entre não negros o total foi de cerca de 132 mil vítimas.

Embora os registros gerais de homicídios tenham apresentado queda ao longo da última década, o estudo destaca que a redução ocorreu de maneira desigual. Entre pessoas não negras, a diminuição foi de 38,9%, enquanto entre negros a queda ficou em 21,7%.

O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, afirmou que o cenário evidencia o agravamento da violência direcionada a grupos historicamente vulneráveis e minorias sociais.

Os pesquisadores destacam que fatores como desigualdade estrutural, exclusão social, criminalidade e racismo contribuem para manter os altos índices de violência letal contra a população negra no país.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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