MPF arquiva pedido de investigação contra Bolsonaro por falas sobre mulheres

Procuradoria aponta ausência de elementos para ação coletiva, apesar de considerar declarações reprováveis.

MPF arquiva investigação contra Jair Bolsonaro por falas sobre mulheres e aponta falta de base para ação civil pública.

Imagem: Reprodução/ Gettyimages.ru / Andressa Anholete Via RT

O Ministério Público Federal decidiu arquivar o pedido de investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por declarações consideradas ofensivas a mulheres.

A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (16) e concluiu que não há elementos suficientes para a abertura de uma ação civil pública por dano coletivo.

De acordo com o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, embora as falas sejam classificadas como social e eticamente reprováveis, o caso não caracteriza uma atuação sistemática voltada à exclusão de mulheres da vida política.

A representação havia sido apresentada pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos após a divulgação de um vídeo nas vésperas do Dia Internacional da Mulher.

A gravação foi publicada em 6 de março de 2025 por Jair Renan Bolsonaro e mostra o ex-presidente fazendo comentários depreciativos sobre mulheres filiadas ao Partido dos Trabalhadores.

O CNDH recorreu da decisão. A presidente do órgão, Ivana Leal, classificou as declarações como violentas e afirmou que elas ferem princípios de igualdade de gênero e respeito à participação feminina na política.

No conteúdo que motivou a representação, Bolsonaro faz críticas à aparência de mulheres e relata episódios em que respondeu a questionamentos com comentários considerados ofensivos.

O ex-presidente já esteve envolvido em episódios semelhantes. Em decisão anterior, ele foi condenado a indenizar a deputada Maria do Rosário após declarações de cunho ofensivo, caso que teve ampla repercussão judicial e política.

A decisão do MPF se restringe ao entendimento sobre dano coletivo no caso analisado e não impede que outras medidas judiciais sejam adotadas em diferentes esferas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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