Morre Zuenir Ventura, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro

Escritor e integrante da Academia Brasileira de Letras morreu nesta terça-feira (22), vítima de pneumonia; autor de “1968: O Ano que Não Terminou” deixa legado de reportagens e obras sobre a história do país.

Zuenir Ventura morre aos 95 anos, vítima de pneumonia. Jornalista e escritor era membro da ABL e autor de obras como “1968” e “Cidade Partida”.

Imagem: Reprodução/ Elza Fiúza/Agência Brasil

Autor de livros que ajudaram diferentes gerações a compreender o Brasil, Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22 de setembro), aos 95 anos.

O jornalista e escritor estava em casa e teve a morte causada por uma pneumonia. A informação foi comunicada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual fazia parte desde 2015.

Com uma carreira de aproximadamente sete décadas, Zuenir acompanhou acontecimentos que transformaram a política, a cultura e a sociedade brasileira. Suas reportagens e obras literárias registraram momentos decisivos da história nacional, incluindo a ditadura militar, os movimentos culturais dos anos 1960 e os problemas sociais do Rio de Janeiro.

Sua trajetória foi marcada pela capacidade de transformar acontecimentos complexos em narrativas acessíveis, combinando investigação jornalística, personagens e contexto histórico.

Além dos livros, deixou uma extensa produção em jornais e revistas, onde atuou como repórter, colunista, editor e diretor de redação.

De arquivista a referência na imprensa nacional

Zuenir Carlos Ventura nasceu em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais. Formado em Letras Neolatinas, construiu uma trajetória profissional que começou longe dos cargos de destaque que viria a ocupar nas redações brasileiras.

Sua entrada no jornalismo aconteceu em 1956, quando começou a trabalhar como arquivista. Com o passar dos anos, assumiu diferentes funções e consolidou sua presença na imprensa.

Trabalhou em veículos como O Globo, Jornal do Brasil e Correio da Manhã, além das revistas Veja, O Cruzeiro, Visão e Fatos & Fotos.

A experiência acumulada ao longo da carreira permitiu que atuasse na reportagem, na edição e na direção de redação, acompanhando diferentes fases da comunicação brasileira.

Zuenir também se dedicou ao ensino superior, com passagens pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), contribuindo para a formação de novos profissionais.

“1968: O Ano que Não Terminou” marcou sua carreira

Entre as obras de maior repercussão está “1968: O Ano que Não Terminou”, publicado em 1988.

O livro revisita um período de profundas transformações políticas e culturais, marcado pela mobilização estudantil, pela resistência à ditadura militar e pelas mudanças no comportamento da sociedade brasileira.

A publicação alcançou centenas de milhares de exemplares vendidos e se tornou uma referência para leitores interessados na história recente do país.

Ao reconstruir acontecimentos daquele ano, Zuenir reuniu investigação, depoimentos e memória, aproximando o leitor de personagens e episódios que marcaram uma geração.

A obra também consolidou sua presença na literatura de não ficção, demonstrando como a reportagem poderia ganhar profundidade e permanência no formato de livro.

“Cidade Partida” retratou desigualdade e violência no Rio

Outro trabalho fundamental de sua trajetória foi “Cidade Partida”, dedicado aos contrastes sociais e à violência urbana no Rio de Janeiro.

Na obra, Zuenir investigou a realidade de diferentes territórios da capital fluminense e apresentou uma reflexão sobre as divisões que marcam a cidade.

O livro reuniu experiências de moradores, acontecimentos e questões sociais que ajudaram a ampliar o debate sobre a violência e a desigualdade.

O trabalho recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem, consolidando o reconhecimento do escritor também no mercado editorial.

Ao longo da carreira, Zuenir demonstrou interesse por histórias que permitissem compreender o país a partir da vida cotidiana das pessoas e de suas relações com os grandes acontecimentos nacionais.

Escritor ocupava cadeira de Ariano Suassuna na ABL

A contribuição de Zuenir Ventura para a cultura brasileira foi reconhecida pela Academia Brasileira de Letras em 2014, quando foi eleito para a cadeira de número 32, anteriormente ocupada por Ariano Suassuna.

A posse aconteceu em março de 2015, quando passou a integrar oficialmente a instituição.

O ingresso na Academia representou o reconhecimento de uma trajetória construída entre o jornalismo, a literatura e o ensino.

Na ABL, Zuenir participou das atividades voltadas à valorização da língua portuguesa, da produção literária e da preservação da memória cultural brasileira.

Velório será realizado nesta quarta-feira no Rio

A despedida de Zuenir Ventura está prevista para esta quarta-feira (23), na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

O sepultamento deverá ocorrer no mausoléu da instituição, localizado no Cemitério São João Batista, na capital fluminense.

A morte do jornalista encerra uma trajetória que atravessou diferentes gerações e transformações da imprensa nacional.

Seu legado permanece nas reportagens, crônicas e livros que registraram acontecimentos históricos e ajudaram a ampliar a compreensão sobre os desafios políticos, culturais e sociais do Brasil.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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