O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 revelou avanços em diferentes níveis de ensino, mas também expôs diferenças importantes entre municípios e etapas da educação brasileira.
Entre os anos iniciais do ensino fundamental, oito municípios chegaram à nota máxima de 10, todos localizados no Nordeste.
Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC). Cinco das cidades com desempenho máximo ficam no Ceará e outras três estão em Alagoas.
O Ideb reúne indicadores de desempenho dos estudantes e de aprovação escolar e é utilizado para acompanhar a evolução da educação básica brasileira. O índice contempla os anos iniciais e finais do ensino fundamental e o ensino médio.
Paraná lidera entre os estados nos anos iniciais
Nos anos iniciais do ensino fundamental, que correspondem do 1º ao 5º ano, o Paraná apresentou o melhor resultado entre os estados, com média 7.
Ceará e Santa Catarina também ficaram acima da média nacional, que foi de 6,3. O desempenho demonstra a existência de diferenças consideráveis entre os sistemas educacionais estaduais e municipais.
Além dos resultados positivos em alguns estados, o levantamento mostrou uma redução significativa na quantidade de municípios com índices mais baixos.
Número de municípios com Ideb abaixo de 4,9 cai
A quantidade de municípios com Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais caiu de 1.097 para 442 entre as avaliações consideradas pelo levantamento.
O Ministério da Educação relaciona parte dos resultados mais baixos a fatores socioeconômicos e pretende oferecer acompanhamento específico às cidades que continuam entre as faixas de menor desempenho.
Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, os 442 municípios deverão receber assistência técnica individualizada.
“A ideia do Ministério da Educação é que esses 442 municípios sejam chamados para uma assistência técnica específica e individualizada, para que a gente não deixe ninguém para trás”, afirmou.
O objetivo, segundo o ministro, é apoiar as redes municipais para melhorar a qualidade do ensino, a infraestrutura e os indicadores de aprendizagem.
Oito municípios chegam à nota 10
O destaque dos anos iniciais ficou por conta dos oito municípios que obtiveram nota 10 no Ideb de 2025.
Todos estão no Nordeste. O Ceará concentra cinco cidades, enquanto Alagoas reúne as outras três.
O desempenho desses municípios contrasta com a realidade das cidades que permanecem nas faixas mais baixas do índice e evidencia a diversidade dos resultados encontrados dentro da educação básica brasileira.
Pires Ferreira se destaca nos anos finais
Nos anos finais do ensino fundamental, correspondentes do 6º ao 9º ano, o Paraná voltou a apresentar o melhor desempenho entre os estados.
Ceará e Goiás aparecem logo depois. A média nacional nessa etapa foi de 5,3.
Um dos casos de maior evolução foi registrado em Pires Ferreira, no Ceará. O município saiu de 3,4 em 2005 para 9,1 em 2025 nos anos finais do ensino fundamental.
A trajetória representa um crescimento expressivo ao longo de duas décadas e coloca o município entre os exemplos de maior avanço no período analisado.
Ensino médio não alcança a meta
No ensino médio, entretanto, o cenário foi menos positivo. A etapa foi a única entre as três avaliadas a permanecer abaixo da meta nacional.
O Brasil registrou Ideb de 4,5 em 2025, enquanto o objetivo estabelecido era de 5,2.
Mesmo o estado com melhor resultado não alcançou a meta. O Paraná ficou em primeiro lugar, com 5,1, seguido por Piauí, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.
Na outra ponta, Amapá, Maranhão e Roraima apresentaram índices inferiores a 4.
Os números mostram que o ensino médio continua entre os principais desafios da educação brasileira, apesar dos avanços observados em outras etapas.
Brasil recupera desempenho anterior à pandemia
Durante a apresentação dos resultados, o ministro Leonardo Barchini também destacou a recuperação dos indicadores educacionais após os impactos provocados pela pandemia de covid-19.
De acordo com Barchini, estimativas de organismos internacionais, como a Unesco, apontavam que a recuperação dos níveis educacionais anteriores à pandemia poderia levar de 10 a 13 anos.
Na avaliação do ministro, os resultados do Ideb indicam que o Brasil conseguiu recuperar esse patamar em um período menor.
“Os relatórios dos organismos internacionais apontavam que o Brasil demoraria de 10 a 13 anos para conseguir voltar aos níveis pré-pandemia. O que os resultados do Ideb mostram é que a gente conseguiu voltar àquela situação pré-pandemia”, declarou.
Como o Ideb é calculado
Criado em 2005, o Ideb combina dois componentes principais para avaliar a educação básica: o desempenho dos estudantes e a aprovação escolar.
A parte relacionada à aprendizagem utiliza os resultados de língua portuguesa e matemática obtidos no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Já as taxas de aprovação são extraídas do Censo Escolar.
O modelo permite avaliar simultaneamente o rendimento dos alunos nas avaliações e a progressão dos estudantes dentro das escolas.
Segundo o MEC, os resultados de 2025 alcançaram os maiores níveis da série histórica do Ideb, iniciada em 2005.
Mais de 32 milhões de matrículas entram no levantamento
A edição de 2025 também envolveu um grande número de estudantes. Mais de 25 milhões de matrículas do ensino fundamental foram consideradas, incluindo alunos das redes pública e privada.
No ensino médio, foram analisadas mais de 7 milhões de matrículas.
Os dados apresentam um panorama abrangente da educação brasileira e mostram realidades distintas entre regiões e etapas. Enquanto os anos iniciais registraram municípios com nota máxima e queda no número de cidades com baixo desempenho, o ensino médio permaneceu abaixo da meta nacional.
Os resultados reforçam a necessidade de políticas direcionadas às redes com maiores dificuldades e também permitem identificar experiências municipais que apresentaram evolução expressiva e podem servir como referência para outras localidades.
*Da Agência Fonte Exclusiva
