O governo federal solicitou o bloqueio de mais de 13 mil sites ilegais de apostas nas últimas duas semanas, após a entrada em vigor da proibição das bets no Brasil. A medida atingiu também as plataformas que tinham autorização para funcionar no país, cujos sites foram encerrados nesta quarta-feira (7).
Ao todo, 188 sites de empresas anteriormente autorizadas deixaram de operar. Além das páginas de apostas, o governo determinou a retirada de milhares de publicações nas redes sociais relacionadas à divulgação desses jogos.
A expectativa da equipe econômica é que parte do dinheiro antes destinado às apostas volte a circular no comércio e em atividades como serviços e turismo, contribuindo para a recuperação do consumo das famílias.
Bets movimentaram R$ 20 bilhões em seis meses
Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas mostram que as plataformas registraram aproximadamente R$ 20 bilhões em receita bruta apenas no primeiro semestre de 2026.
O valor representa os recursos retidos pelas empresas depois do pagamento dos prêmios aos apostadores, e não o total de dinheiro movimentado nas apostas.
Com a proibição, o governo espera que uma parcela desses recursos seja redirecionada para despesas domésticas, pagamento de dívidas e aquisição de produtos e serviços.
Setores como comércio, turismo e prestação de serviços poderão ser beneficiados caso os consumidores passem a utilizar nesses segmentos o dinheiro anteriormente comprometido com os jogos.
A dimensão desse efeito, entretanto, ainda dependerá do comportamento das famílias e da capacidade de impedir a migração dos apostadores para plataformas clandestinas.
Mais de R$ 1,3 bilhão ainda precisa ser devolvido
O encerramento das operações também abriu uma nova etapa para a restituição dos saldos mantidos nas contas dos apostadores.
O prazo inicial para solicitar a retirada do dinheiro terminou na segunda-feira (5). Segundo as informações divulgadas, aproximadamente 26 milhões de pessoas não resgataram seus valores dentro do período estabelecido.
O montante pendente chega a cerca de R$ 1,3 bilhão.
Agora, a devolução deverá ocorrer por meio de instituições financeiras, com prazo previsto até 14 de outubro.
Nos casos em que houver dificuldades para localizar os titulares ou concluir os pagamentos, a Caixa Econômica Federal deverá atuar como intermediária do processo.
A medida busca garantir que os recursos depositados pelos usuários sejam restituídos mesmo depois do encerramento dos sites.
Governo amplia combate às plataformas clandestinas
A retirada das empresas autorizadas do mercado não encerra o desafio de combater as apostas ilegais.
O bloqueio de mais de 13 mil endereços eletrônicos faz parte de uma operação para dificultar o acesso a plataformas que continuam oferecendo jogos sem autorização.
As ações também alcançam a publicidade digital, com pedidos de remoção de conteúdos que promovem apostas em redes sociais.
A fiscalização deverá acompanhar possíveis tentativas de manter os serviços por meio de novos domínios, aplicativos e outros canais digitais.
A efetividade da proibição dependerá da continuidade das medidas de fiscalização e do combate às operações clandestinas.
Impacto das apostas na saúde pública
Além dos efeitos econômicos, a proibição das bets reacende o debate sobre os prejuízos associados ao jogo problemático e à dependência em apostas.
Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estimou em quase R$ 39 bilhões anuais os custos sociais relacionados aos jogos no Brasil.
O levantamento considera diferentes consequências econômicas e sociais, incluindo problemas de saúde mental, tratamentos médicos e perdas associadas ao comportamento compulsivo.
Entre os problemas relacionados ao transtorno do jogo estão endividamento, ansiedade, depressão, conflitos familiares e, em situações graves, risco de suicídio.
A redução da exposição às apostas pode contribuir para diminuir esses danos, embora os resultados sobre a saúde pública dependam também da ampliação da prevenção e do acesso ao tratamento.
Proibição pode mudar destino do orçamento familiar
O governo aposta na possibilidade de que o encerramento das plataformas reduza o comprometimento da renda familiar com jogos e abra espaço para outras despesas.
A expectativa é especialmente relevante para famílias endividadas ou que utilizavam parte significativa do orçamento em apostas.
Especialistas em economia doméstica, porém, destacam que a interrupção da oferta legal não garante, por si só, a recuperação financeira dos apostadores. O resultado também depende da fiscalização, da educação financeira e do atendimento às pessoas que desenvolveram dependência.
Com os sites autorizados fora do ar e os pedidos de bloqueio das plataformas ilegais em andamento, os próximos meses deverão mostrar se a proibição terá os efeitos esperados sobre o consumo, o endividamento e a saúde pública.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
