Enem 2026: veja como fazer uma boa redação e evitar nota zero

Prova deste domingo (8) exige texto argumentativo de até 30 linhas; confira as cinco competências avaliadas e os erros que podem comprometer a nota.

Enem 2026: confira como fazer uma boa redação, as cinco competências avaliadas, os erros que dão nota zero e dicas para a prova deste domingo (8).

Imagem: Reprodução/ Marcelo Camargo/Agência Brasil

A redação pode ser decisiva para os estudantes que pretendem conquistar uma vaga no ensino superior por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Neste domingo (8), mais de 5 milhões de inscritos terão o desafio de desenvolver um texto sobre uma questão de relevância social, apresentando argumentos consistentes e uma proposta de solução para o problema abordado.

Com pontuação máxima de mil pontos, a redação exige mais do que escrever corretamente. O candidato precisa demonstrar capacidade de interpretar o tema, organizar informações, defender uma opinião e construir uma conclusão coerente.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) reúne as orientações na Cartilha do Participante, que detalha os critérios utilizados pelos corretores e as situações que podem resultar em nota zero.

Na reta final, especialistas recomendam revisar as regras, conhecer a estrutura exigida e evitar erros que possam comprometer o desempenho.

Como organizar a redação do Enem?

O texto exigido pelo Enem é do tipo dissertativo-argumentativo. Isso significa que o estudante deve apresentar uma tese, desenvolver argumentos e concluir a discussão com uma proposta de intervenção.

O primeiro passo é compreender exatamente o tema apresentado.

A proposta costuma abordar um problema específico da sociedade brasileira. Por isso, escrever sobre um assunto relacionado, mas diferente do recorte solicitado, pode prejudicar a avaliação.

O professor de redação Renato Júdice explica que o exame geralmente trabalha com questões sociais delimitadas.

Um tema sobre tecnologia, por exemplo, pode exigir uma discussão específica sobre seus impactos na educação, e não uma análise genérica sobre os avanços tecnológicos.

Os textos motivadores apresentados na prova ajudam a contextualizar o assunto, mas não devem ser reproduzidos pelo candidato.

A recomendação é utilizar as informações como ponto de partida para desenvolver uma argumentação própria.

Conheça as cinco competências avaliadas

A correção da redação considera cinco competências, cada uma com pontuação máxima de 200 pontos.

A primeira avalia o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa. São observados aspectos como ortografia, pontuação, concordância e construção das frases.

A segunda competência analisa a compreensão do tema e a capacidade de desenvolver um texto dissertativo-argumentativo, utilizando conhecimentos de diferentes áreas.

Na terceira, os corretores verificam como o participante seleciona, relaciona e organiza informações, fatos e argumentos para defender seu ponto de vista.

A quarta competência considera os mecanismos linguísticos utilizados para conectar ideias e garantir a continuidade do texto.

Por fim, a quinta avalia a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos.

A soma das pontuações pode chegar a mil pontos.

Para alcançar uma boa nota, o estudante precisa demonstrar equilíbrio entre a qualidade da argumentação, a organização das ideias e o domínio da escrita.

Estrutura de quatro parágrafos pode facilitar a escrita

Uma estratégia bastante utilizada na preparação para o Enem é organizar a redação em quatro parágrafos.

Na introdução, o candidato apresenta o tema e estabelece a tese que será defendida.

Os dois parágrafos seguintes são destinados ao desenvolvimento dos argumentos. Cada um pode explorar um aspecto diferente do problema, utilizando exemplos, referências históricas ou conhecimentos adquiridos durante os estudos.

O último parágrafo deve apresentar a conclusão e a proposta de intervenção. Essa divisão não é obrigatória, mas pode ajudar a manter uma sequência lógica e evitar repetições.

O mais importante é que as ideias estejam conectadas e que os argumentos contribuam para sustentar o posicionamento apresentado no início do texto.

Proposta de intervenção exige solução bem explicada

A conclusão da redação merece atenção especial porque uma das competências avaliadas exige a apresentação de uma proposta de intervenção.

O candidato deve indicar uma medida relacionada ao problema discutido e explicar como ela poderia contribuir para enfrentá-lo.

Uma proposta bem desenvolvida costuma identificar o responsável pela ação, a medida a ser adotada, a forma de execução e o objetivo esperado.

Também é recomendável acrescentar um detalhamento que torne a solução mais clara.

Dizer apenas que o governo precisa resolver o problema ou que a população deve se conscientizar não costuma ser suficiente para obter a pontuação máxima. A proposta deve estar relacionada aos argumentos desenvolvidos ao longo do texto e respeitar os direitos humanos.

Quais erros podem zerar a redação?

Algumas situações previstas nas regras do Enem podem resultar em nota zero, independentemente da qualidade de outras partes do texto.

Entre elas estão a fuga total ao tema, a ausência de texto na folha definitiva e a produção de uma redação com até sete linhas próprias.

Também podem levar à nota zero a apresentação de um texto que não atenda ao tipo dissertativo-argumentativo, a inclusão de trechos deliberadamente desconectados do assunto e outras situações expressamente previstas nos critérios oficiais.

Outro cuidado envolve a cópia dos textos motivadores. Trechos reproduzidos desses materiais não são considerados na contagem das linhas efetivamente produzidas pelo candidato.

É importante lembrar que o rascunho não é utilizado para atribuição da nota.

Somente o conteúdo registrado na Folha de Redação será corrigido. Por isso, o estudante deve reservar tempo suficiente para transcrever o texto e conferir se todas as partes foram incluídas.

Relembre os últimos temas do Enem

Os assuntos cobrados nas edições anteriores mostram que a prova costuma abordar desafios relacionados à cidadania, à cultura, aos direitos sociais e à realidade brasileira.

Confira os temas das últimas dez edições:

Conhecer esses assuntos pode ajudar a compreender o perfil da avaliação, mas não permite prever com segurança o tema escolhido para 2026.

A preparação mais eficiente envolve leitura, interpretação de textos e prática de argumentação sobre diferentes problemas sociais.

O que fazer antes de começar a escrever?

No dia da prova, a leitura cuidadosa da proposta deve ser a primeira preocupação.

O candidato precisa identificar as palavras-chave do tema, compreender o problema apresentado e definir quais argumentos serão utilizados.

Fazer um pequeno planejamento antes de iniciar a redação pode evitar mudanças de direção durante a escrita.

Também é importante administrar o tempo. O primeiro domingo do Enem reúne 90 questões objetivas, divididas entre linguagens e ciências humanas, além da redação. A duração total será de cinco horas e 30 minutos.

Especialistas recomendam não deixar a produção do texto para os últimos minutos, pois a pressa aumenta o risco de erros e pode impedir a transcrição completa para a folha definitiva.

Depois de concluir a redação, vale revisar a pontuação, a concordância, a ligação entre os parágrafos e a relação entre a conclusão e o tema proposto.

Comentários sobre a prova após o exame

Depois da aplicação, estudantes poderão acompanhar análises sobre as questões e o tema da redação.

A Agência Brasil prevê transmitir, a partir das 19h30 deste domingo, o programa Resenha do Enem, com professores convidados para comentar o primeiro dia de provas.

A transmissão estará disponível nos canais da Agência Brasil e da TV Brasil no YouTube, além da Rádio Nacional.

Para os participantes, o principal cuidado neste momento é chegar ao local de aplicação com antecedência, manter a tranquilidade e seguir as orientações do exame.

Uma redação bem planejada, com argumentos claros e uma proposta de intervenção consistente, pode fazer diferença no resultado final e ampliar as possibilidades de ingresso no ensino superior.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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