O comportamento do clima no Brasil deve continuar sob influência do El Niño nos próximos meses. Dados recentes apontam que o fenômeno já apresenta intensidade considerada forte e existe possibilidade de avanço até o fim do ano, cenário que pode contribuir para temperaturas mais elevadas em diferentes áreas do país.
A atualização mais recente da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica o fortalecimento do fenômeno. Segundo Francisco Vasconcelos Júnior, diretor técnico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial está cerca de 1,8°C acima da média.
Esse valor coloca o atual El Niño na categoria de forte. A expectativa é que o aquecimento continue durante os próximos meses, com o comportamento das temperaturas entre os principais efeitos a serem acompanhados.
Calor ganha destaque entre os efeitos
Neste momento, uma das consequências mais perceptíveis do fenômeno é o aumento das temperaturas. A distribuição das chuvas também pode sofrer alterações, principalmente em regiões que normalmente já apresentam períodos mais secos nesta época do ano.
No Nordeste, por exemplo, a Zona de Convergência Intertropical costuma permanecer mais ao norte durante este período. Por isso, as primeiras chuvas associadas à pré-estação chuvosa são esperadas entre dezembro e janeiro.
A evolução do El Niño também é acompanhada devido aos possíveis impactos sobre a temporada de chuvas de 2027.
Pico pode ocorrer até o fim do ano
Apesar dos sinais de fortalecimento, ainda não é possível definir com precisão como será o período chuvoso de 2027. Para a Funceme, a intensidade atual do fenômeno exige atenção, principalmente por causa do histórico de episódios considerados fortes nas últimas décadas.
Entre os eventos mais marcantes estão os registrados em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016. O último deles foi classificado como muito forte.
Os modelos meteorológicos indicam que o El Niño atual pode alcançar essa categoria entre outubro e dezembro, quando a temperatura das águas do Pacífico Equatorial tende a atingir seu ponto máximo.
El Niño influencia diferentes regiões
O fenômeno acontece quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Ele faz parte de uma variação natural do sistema climático, que também inclui a La Niña e períodos de neutralidade.
Seus efeitos, porém, não são iguais em todo o território brasileiro. De maneira geral, episódios de El Niño costumam favorecer o aumento das chuvas no Sul, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar condições mais secas.
A intensidade que o fenômeno atingirá e sua evolução ao longo dos próximos meses serão determinantes para definir os efeitos sobre as temperaturas e as chuvas no Brasil.
*Da Agência Fonte Exclusiva
