Degelo global acelera e eleva risco para cidades litorâneas, alertam pesquisadores

Estudo da Unifesp aponta que quase 9.200 gigatoneladas de gelo foram perdidas desde 1976, com impactos diretos no aumento do nível do mar.

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo revela derretimento acelerado de geleiras e calotas polares desde 1976, alertando para riscos de inundações e erosão em cidades costeiras.

Imagem: Divulgação

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo, integrantes do Programa Antártico Brasileiro, identificaram que o derretimento de geleiras e calotas polares acelerou nas últimas décadas.

O estudo, intitulado “Planeta em Degelo”, incorporou dados do World Glacier Monitoring Service e revelou que, desde 1976, quase 9.200 gigatoneladas de gelo foram perdidas — cada gigatonelada equivalente a um trilhão de quilogramas.

Segundo os pesquisadores, esse volume representa aproximadamente 9 mil quilômetros cúbicos de água, quantidade semelhante à que o rio Amazonas despeja no oceano em cerca de 470 dias. As regiões mais afetadas foram a Antártica e a Groenlândia.

O professor Ronaldo Christofoletti ressaltou que o degelo está diretamente relacionado ao aquecimento global e traz riscos significativos para áreas costeiras.

“O planeta esquenta, derrete o gelo, e essa água vai para os oceanos, aumentando o nível do mar. Isso afetará cidades litorâneas, que terão de lidar com erosão e possíveis inundações”, explicou.

Christofoletti destacou a urgência de ações imediatas de adaptação urbana, especialmente em regiões costeiras, enquanto medidas de longo prazo discutidas em conferências climáticas, como a COP 30, ainda não foram implementadas.

“Precisamos adaptar nossas cidades, cuidar da orla e da erosão costeira, reconhecendo que o aumento do nível do mar já é uma realidade”, acrescentou.

O estudo também ressalta avanços na educação ambiental no Brasil, destacando o “currículo azul”, iniciativa que integra a cultura oceânica às escolas e sensibiliza alunos sobre a importância dos oceanos para a vida e os ecossistemas.

O levantamento reforça a necessidade de ações globais e locais coordenadas para conter os efeitos do aquecimento e proteger regiões vulneráveis ao aumento do nível do mar.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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