O Brasil deve sentir os efeitos de um novo El Niño a partir do segundo semestre de 2026, com possibilidade de impactos mais intensos em algumas regiões. Segundo a NOAA, agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, há 82% de chance de o fenômeno se formar entre maio e julho e 96% de probabilidade de permanecer durante o inverno do Hemisfério Norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação atmosférica e pode alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região. O Sul costuma registrar aumento de chuva, com risco maior de temporais, alagamentos e enchentes. Já áreas do Norte e do Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, calor mais intenso e maior risco de seca.
O Cemaden informou, em nota técnica, que as projeções para o El Niño 2026/2027 indicam anomalias positivas na temperatura da superfície do Pacífico Equatorial, com possibilidade de intensidade comparável aos maiores eventos já registrados. O órgão ressalta, porém, que previsões de longo prazo ainda têm incertezas.
Na região Sul, a preocupação envolve a combinação entre umidade, frentes frias e sistemas de chuva persistente. Esse cenário pode favorecer temporais, cheias de rios, deslizamentos em áreas vulneráveis e problemas em cidades com drenagem insuficiente.
No Norte e no Nordeste, o risco principal é o oposto: estiagem mais severa, ondas de calor, queda no nível de rios, pressão sobre mananciais e impacto no abastecimento de água. A seca também pode prejudicar a agricultura e aumentar a chance de queimadas.
Meteorologistas também observam que o evento de 2026 pode ter diferenças em relação ao El Niño de 2023 e 2024. Modelos climáticos indicam possibilidade de maior umidade em áreas entre Mato Grosso do Sul e São Paulo no segundo semestre, o que foge parcialmente do padrão mais tradicional do fenômeno.
Apesar da preocupação, os impactos não dependem apenas do El Niño. A vulnerabilidade de cada região também está ligada à infraestrutura, ocupação urbana, capacidade de drenagem, prevenção de desastres, gestão de recursos hídricos e resposta dos governos.
Especialistas recomendam que estados e municípios reforcem planos de contingência, monitorem áreas de risco e preparem sistemas de alerta para eventos extremos. Para a população, a orientação é acompanhar comunicados oficiais da Defesa Civil e dos órgãos meteorológicos, especialmente em períodos de chuva intensa ou calor prolongado.
*Da Agência Fonte Exclusiva
