Áudio de Bolsonaro a Malafaia vincula tarifaço à anistia

Em conversa com o pastor, ex-presidente condiciona fim de taxas dos EUA à aprovação de anistia para condenados por atos golpistas

Polícia Federal encontrou áudio em que Jair Bolsonaro diz a Silas Malafaia que fim do tarifaço dos EUA depende da votação da anistia no Congresso. Ex-presidente e filho foram indiciados.

O presidente Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, no Palácio do Planalto Foto: Isac Nóbrega PR

A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do ex-presidente Jair Bolsonaro um áudio em que ele afirma que a negociação para a retirada do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil está condicionada à aprovação de uma anistia para os condenados por atos golpistas. A gravação foi direcionada ao pastor Silas Malafaia.

A barganha no áudio

Na mensagem, Bolsonaro é categórico: “Se não começar votando a anistia, não tem negociação sobre tarifas”. Ele ainda minimiza esforços de outros políticos, como governadores, para resolver a questão diplomaticamente, afirmando que não conseguirão sucesso.

O ex-presidente também justifica sua não exposição pública sobre o tema: “Eu também não posso me expor… Resolveu a anistia, resolveu tudo. Não resolveu, já era”.

Contexto das investigações

O áudio foi descoberto durante as investigações que culminaram no indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. As apurações focam na atuação de Eduardo nos EUA para mobilizar o governo Trump a adotar medidas de retaliação—como o tarifaço de 50% e sanções ao ministro Alexandre de Moraes—para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

Outros achados da PF

A investigação também revelou outros pontos graves:

Desdobramentos

Como desdobramento direto das investigações, o ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão contra o pastor Silas Malafaia, citado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como “orientador e auxiliar das ações de coação”. O pastor teve seu celular apreendido no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Da Agência Fonte Exclusiva.

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