Após resultados do Enamed, CFM cobra transparência e acesso a microdados do MEC

Conselho quer avaliar desempenho dos novos médicos e reforçar fiscalização

Diante de notas baixas no Enamed, CFM pede acesso aos microdados e questionários do exame para subsidiar ações sobre a formação médica.

Foto: Divulgação

O Conselho Federal de Medicina (CFM) solicitou formalmente ao Ministério da Educação acesso aos microdados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O pedido foi motivado pelo que a entidade classificou como “extrema preocupação” diante dos resultados divulgados na primeira edição do exame, que apontaram desempenho insatisfatório em uma parcela significativa dos cursos de medicina do país.

Os ofícios foram assinados pelo presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran da Silva Gallo, e encaminhados ao ministro da Educação, Camilo Santana, e ao presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Manuel Fernando Palacios da Cunha e Melo.

No documento, o CFM afirma que, embora reconheça a importância da iniciativa do Ministério da Educação em implementar mecanismos de avaliação da formação médica, os resultados do Enamed reforçam alertas que vêm sendo feitos há anos pela entidade sobre a fragilidade do ensino médico no Brasil.

Além dos microdados do exame, o conselho também solicitou acesso aos questionários textual, do estudante e de percepção da prova preenchidos pelos acadêmicos. Segundo o CFM, essas informações são essenciais para uma análise técnica aprofundada, capaz de subsidiar ações de fiscalização profissional e contribuir para o aprimoramento da formação médica continuada no país.

O Enamed avaliou 351 cursos de medicina, vinculados tanto ao Sistema Federal de Ensino quanto a instituições estaduais e municipais. Do total, mais de 100 cursos apresentaram resultados considerados insatisfatórios, com notas nas faixas 1 e 2 do Conceito Enade — o equivalente a cerca de 30% dos avaliados. Entre os cursos supervisionados diretamente pelo sistema federal, 99 ficaram nessas faixas, enquanto 204 alcançaram conceitos entre 3 e 5. Um curso ficou sem conceito por não atingir o número mínimo de alunos avaliados.

Para o CFM, o acesso detalhado aos dados permitirá identificar padrões, fragilidades estruturais e possíveis falhas nos processos de formação, ajudando a orientar políticas públicas, fiscalizações e medidas corretivas. A entidade reforça que a qualidade da formação médica impacta diretamente a segurança dos pacientes e o funcionamento do sistema de saúde como um todo.

Até o momento, o Ministério da Educação e o Inep não se manifestaram publicamente sobre o pedido.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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