3,7 milhões de jovens brasileiros deixam condição “nem-nem” entre 2019 e 2025

Levantamento da PNAD Contínua Educação 2025 mostra queda na parcela de brasileiros de 15 a 29 anos que não trabalham, não estudam e não fazem qualificação profissional.

Pesquisa do IBGE aponta redução no número de jovens brasileiros que não trabalham, não estudam e não fazem cursos de qualificação entre 2019 e 2025.

🎥Reprodução/Instituto Federal Fluminense

O Brasil registrou queda no número de jovens de 15 a 29 anos que não trabalham, não estudam e não frequentam cursos de qualificação profissional. O dado faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Educação 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.

Segundo o levantamento, o país tinha 46,6 milhões de pessoas nessa faixa etária em 2025. Desse total, 17,5% estavam fora do mercado de trabalho, não frequentavam o ensino regular e também não participavam de cursos de qualificação profissional. Em 2019, essa proporção era de 22,4%, o que representa uma queda de 4,9 pontos percentuais no período.

O grupo é popularmente chamado de “nem-nem”, expressão usada para definir jovens que não estudam nem trabalham. Embora o termo seja frequentemente utilizado no debate público, especialistas costumam alertar que a condição envolve diferentes realidades sociais, como falta de oportunidades, necessidade de cuidar de familiares, abandono escolar, dificuldades de acesso ao emprego e desigualdades regionais.

Em números absolutos, o contingente de jovens nessa situação chegou a 8,2 milhões em 2025. A redução indica avanço em relação aos anos anteriores, mas também mostra que milhões de brasileiros ainda seguem à margem tanto da formação educacional quanto da inserção produtiva.

A pesquisa também aponta que parte dos jovens passou a combinar estudo, trabalho e qualificação. Em 2025, 16,6% dos brasileiros de 15 a 29 anos estavam ocupados e estudavam no ensino regular ou frequentavam algum curso de capacitação. Outros 25% não estavam ocupados, mas estudavam ou se qualificavam. Já 40,8% estavam trabalhando, mas não estudavam nem faziam qualificação profissional.

Apesar da melhora geral, as desigualdades permanecem. Entre as mulheres jovens, 22,8% não estavam ocupadas, nem estudando ou se qualificando. Entre os homens, o percentual foi de 12,4%. A diferença também aparece no recorte por cor ou raça: 19,8% dos jovens pretos ou pardos estavam nessa condição, contra 14% dos jovens brancos.

Outro ponto destacado pelo levantamento é o avanço da qualificação profissional. Em 2025, 24,8 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais haviam frequentado algum curso de qualificação, o equivalente a 14,2% dessa população. O percentual cresce conforme o nível de escolaridade: entre pessoas com ensino superior completo, 23,1% já haviam feito curso profissionalizante.

Os dados reforçam a importância de políticas públicas voltadas à permanência escolar, ampliação da educação profissional, acesso ao primeiro emprego e redução das desigualdades de gênero, raça e renda. A queda no número de jovens fora da escola e do trabalho representa avanço, mas o desafio segue grande diante do contingente ainda distante das oportunidades educacionais e profissionais.

*Da Agência  Fonte Exclusiva

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