A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (28) uma nova resolução que pede o fim do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba.
A proposta apresentada pelo governo cubano recebeu 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções, mantendo o apoio da maioria dos países participantes da votação.
A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Havana e às acusações do governo cubano de que os Estados Unidos teriam pressionado outras nações para diminuir o apoio ao documento.
O embargo norte-americano está em vigor há mais de seis décadas e permanece como um dos principais pontos de conflito diplomático entre os dois países.
Apesar da aprovação, a resolução não tem força para determinar o fim imediato das sanções. O documento expressa o posicionamento da Assembleia Geral e reforça o pedido internacional para que as restrições sejam encerradas.
Argentina e outros países votaram contra
Além dos Estados Unidos e de Israel, que tradicionalmente se posicionam contra a resolução cubana, outros países votaram pela rejeição da proposta.
Entre eles estão Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador e Ucrânia.
Chile, República Dominicana, Honduras e Peru aparecem entre os países que optaram pela abstenção.
O resultado mostra que Cuba continua recebendo apoio expressivo na Assembleia Geral, embora a oposição ao texto tenha aumentado nesta votação.
A proposta contra o embargo é apresentada regularmente à ONU e, há décadas, recebe manifestações favoráveis de grande parte da comunidade internacional.
Cuba comemora resultado e critica Washington
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, comemorou a aprovação da resolução nas redes sociais.
O chanceler classificou o resultado como uma conquista diplomática e afirmou que a votação demonstra a rejeição internacional às sanções norte-americanas.
Rodríguez também contestou os argumentos de segurança utilizados por Washington para justificar parte das medidas contra a ilha.
Para o governo cubano, o embargo compromete o desenvolvimento econômico, dificulta operações comerciais e financeiras e prejudica o acesso da população a produtos essenciais.
Os Estados Unidos, por sua vez, defendem suas restrições com argumentos relacionados à segurança nacional, à política externa e à atuação do governo cubano.
Havana acusa EUA de pressionar outros países
Uma semana antes da votação, em 21 de outubro, Bruno Rodríguez denunciou uma suposta campanha diplomática norte-americana para reduzir o número de votos favoráveis à resolução.
Segundo o chanceler, representantes do governo dos Estados Unidos, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, teriam procurado autoridades estrangeiras para tentar modificar suas posições.
Rodríguez afirmou ter apresentado documentos que, segundo ele, sustentariam as acusações.
As declarações representam a versão do governo cubano e não constituem, por si só, uma comprovação independente de pressão irregular.
A disputa diplomática ocorreu em um momento de endurecimento das relações entre os dois países.
Cuba estima prejuízo de US$ 8 bilhões
O governo cubano calcula que as restrições norte-americanas tenham provocado perdas de aproximadamente US$ 8 bilhões entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
Segundo Havana, o valor representa um aumento de cerca de 7% em comparação com o período anterior.
A estimativa considera dificuldades relacionadas ao comércio internacional, acesso a financiamentos, importação de produtos e operações com instituições financeiras estrangeiras.
O embargo também pode afetar empresas de outros países que mantêm relações comerciais com Cuba, dependendo das regras e sanções aplicáveis.
Os valores apresentados são estimativas oficiais do governo cubano e não equivalem a uma auditoria independente dos prejuízos.
Entenda como funciona o embargo contra Cuba
As restrições econômicas dos Estados Unidos contra Cuba começaram na década de 1960 e foram ampliadas ao longo dos anos.
O embargo envolve limitações comerciais, financeiras e de investimentos, além de regras que afetam determinadas transações realizadas por empresas e instituições estrangeiras.
Na prática, essas medidas podem dificultar a compra de produtos, o acesso a serviços bancários e a realização de negócios internacionais.
O governo cubano afirma que as restrições prejudicam especialmente o abastecimento de energia, a aquisição de equipamentos e o funcionamento de serviços públicos.
A economia da ilha também enfrenta problemas internos, incluindo dificuldades de produção, infraestrutura e gestão econômica.
Por isso, os efeitos da crise cubana não podem ser atribuídos exclusivamente ao embargo, embora as sanções sejam um fator relevante nas relações econômicas do país.
Trump endureceu medidas contra a ilha
Em janeiro de 2026, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva declarando emergência nacional em relação a Cuba.
A Casa Branca justificou a medida com argumentos ligados à segurança dos Estados Unidos e às relações internacionais mantidas pelo governo cubano.
Washington acusa Havana de manter vínculos com governos e organizações considerados contrários aos interesses norte-americanos.
Cuba rejeita essas acusações e sustenta que elas são utilizadas para justificar novas restrições econômicas.
As divergências refletem posições distintas sobre a política externa dos Estados Unidos para a ilha e sobre os efeitos das sanções na população cubana.
O que muda após a decisão da ONU?
A resolução aprovada pela Assembleia Geral não obriga os Estados Unidos a encerrar o embargo.
O documento tem caráter político e diplomático, servindo como manifestação formal dos países que apoiam o fim das restrições.
Para que as sanções sejam efetivamente alteradas, são necessárias decisões das autoridades norte-americanas, conforme as competências estabelecidas na legislação dos Estados Unidos.
A votação também permite acompanhar como os países se posicionam diante do conflito entre Washington e Havana.
Apesar dos 130 votos favoráveis, não houve anúncio de mudança imediata na política norte-americana para Cuba.
O embargo permanece em vigor, enquanto o governo cubano continua buscando apoio internacional para sua suspensão.
*Da Agência Fonte Exclusiva
