Uma possível mudança na estrutura acionária do Banco do Brasil entrou no debate eleitoral após uma reportagem apontar que aliados de Flávio Bolsonaro (PL) estariam articulando a entrada do Bank of America na instituição. A informação foi publicada pelo Relatório Reservado na quinta-feira (22) e tem como base relatos de uma fonte ligada à campanha do senador.
Segundo a publicação, Eduardo Bolsonaro estaria conversando com interlocutores do governo dos Estados Unidos sobre uma operação que permitiria ao banco norte-americano adquirir uma participação relevante no capital do Banco do Brasil caso Flávio vença o segundo turno das eleições.
O modelo em discussão não exigiria necessariamente a transferência do controle acionário da instituição para a iniciativa privada. A proposta relatada prevê a possibilidade de o investidor estrangeiro participar do conselho de administração e influenciar decisões estratégicas, mesmo sem deter a maioria do capital.
Até o momento, não há confirmação pública de que um acordo tenha sido formalizado entre as instituições. As informações sobre as negociações são atribuídas ao Relatório Reservado e à fonte ouvida pelo veículo.
Negociações envolveriam interlocutores dos Estados Unidos
De acordo com a reportagem, Eduardo Bolsonaro mantém conversas com representantes ligados ao governo norte-americano desde antes do início da campanha eleitoral. As tratativas envolveriam interlocutores do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e da Casa Branca.
Entre os objetivos atribuídos à possível operação estariam a ampliação da participação de capital privado no Banco do Brasil, a contribuição para o ajuste das contas públicas brasileiras e o fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.
A aproximação também poderia abrir oportunidades de cooperação em áreas como financiamento de exportações, infraestrutura, operações de câmbio e mercado de capitais.
Esses objetivos, porém, fazem parte do cenário descrito pela publicação e não representam um acordo oficialmente anunciado pelas instituições envolvidas.
Proposta contrasta com declarações da campanha
A possibilidade de participação estrangeira no Banco do Brasil contrasta com declarações públicas de integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro sobre a privatização de empresas estatais.
Em 8 de outubro, Adolfo Sachsida, coordenador econômico da campanha, afirmou que um eventual governo do senador não privatizaria o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal ou a Petrobras.
O próprio Flávio também rejeitou acusações de que pretende vender essas empresas. Em entrevista à TV Globo, em 16 de outubro, o candidato criticou o que classificou como uma campanha de desinformação sobre o futuro das estatais e seus funcionários.
A discussão ganhou outro contorno após Daniella Marques, integrante da equipe econômica do senador, admitir em setembro a possibilidade de privatização do Banco do Brasil durante um evento do Grupo Esfera. Na ocasião, ela mencionou a avaliação de mercado da instituição e o preço de suas ações em relação ao patrimônio.
A eventual venda de uma participação minoritária a um investidor estrangeiro, contudo, é diferente da privatização integral de uma empresa. Os efeitos dependeriam dos direitos concedidos ao novo acionista e das condições estabelecidas para a operação.
União mantém o controle do Banco do Brasil
A estrutura acionária é um dos pontos centrais de qualquer eventual negociação. Segundo as informações institucionais do Banco do Brasil, a União é a acionista controladora da instituição, que opera como sociedade de economia mista.
De acordo com o Relatório Reservado, os articuladores estudariam um formato que permitisse a entrada do Bank of America sem que o governo federal necessariamente perdesse o controle acionário.
Nesse cenário, o investidor poderia adquirir ações e obter participação na administração, dependendo das condições negociadas. Isso não significaria, automaticamente, a transferência do controle da instituição, mas poderia alterar a composição acionária e a dinâmica de decisões estratégicas.
Qualquer operação desse tipo precisaria observar as regras societárias e regulatórias aplicáveis, além das condições necessárias para preservar ou modificar o controle estatal.
Associação entre os bancos já foi discutida anteriormente
A possibilidade de aproximação entre o Banco do Brasil e o Bank of America não é inédita. Em novembro de 2018, após a eleição de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, que viria a assumir o Ministério da Economia, mencionou a hipótese de uma fusão entre as duas instituições.
Guedes voltou a abordar a possibilidade em maio de 2019, durante um evento em Dallas, nos Estados Unidos. Na época, a ideia foi apresentada no contexto das discussões sobre mudanças na estrutura de empresas brasileiras e atração de capital privado.
A retomada do tema ocorre agora em meio à campanha presidencial e às discussões sobre o papel dos bancos públicos na economia.
Bank of America recebeu penalidade de US$ 1,2 bilhão nos Estados Unidos
Outro fato relacionado à instituição norte-americana foi divulgado em 13 de outubro de 2026. A Rede de Fiscalização de Crimes Financeiros dos Estados Unidos (FinCEN), vinculada ao Departamento do Tesouro, anunciou uma penalidade de US$ 1,2 bilhão contra o Bank of America por falhas no cumprimento de obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro e na comunicação de operações suspeitas.
A mesma ação envolveu outras medidas regulatórias, incluindo uma penalidade civil de US$ 750 milhões aplicada pelo Office of the Comptroller of the Currency por deficiências no programa de prevenção à lavagem de dinheiro do banco.
O episódio é um registro regulatório relacionado à instituição norte-americana, mas não comprova qualquer vínculo com a possível negociação envolvendo o Banco do Brasil.
Por enquanto, a entrada do Bank of America no capital da instituição brasileira permanece no campo de uma articulação relatada pela imprensa. Não há confirmação pública de contrato assinado, cronograma de implementação ou decisão oficial que estabeleça a realização da operação.
*Da Agência Fonte Exclusiva
